Por outro lado

Tudo tem, pelo menos, dois lados

Frases que uma mulher não merece ouvir Setembro 24, 2007

Arquivado em: O lado da Fernanda — migratoria @ 11:11 pm

Deve ter sido uma mulher idiota, engolidora de sapos, que cunhou a frase: “uma pessoa tem dois ouvidos e uma boca, para que ela escute mais e fale menos”. A boba aqui, durante anos, ouvia, refletia e ainda tentava entender os motivos escusos que os homens usavam para dar qualquer explicação ou, melhor ainda, a total falta de uma. Aprendi na marra que não compensa levar a sério essas balelas gratuitas. Ao invés de eu ter essas frases como lições que aprendi, eu as tenho como cartas na manga para jogar numa conversa sobre ridicularidades.

Em homenagens a esses homens, faço aqui o ranking das 13 (dizem ser este o número do azar) maiores rabugices que eu já ouvi até hoje.

1. “Desligue o ventilador mecânico, o paciente já deu morte cerebral”.

Mulheres, por favor, não namorem médicos. Eles têm uma forma muito peculiar de terminar um relacionamento. Peculiar, nada; covarde, mesmo. Você se sente uma indigente. É uma pena que eles não tenham a licença para a prática cassada por fazerem diagnósticos imprecisos e por não terem nenhum tato para mascarar seu próprio erro médico.

2. “Eu não posso ficar com você: eu não posso trair a mim mesmo”.

Até hoje eu não entendi o que este cidadão quis dizer com essa frase. E, depois de muito observar o comportamento dele em relação a outras mulheres, cheguei à conclusão de que ele não queria ficar comigo porque ele teria de ser menos idiota. Ele até podia fingir ser interessante, mas fingir ser grande coisa seria realmente uma traição moral. Ao menos, ele teve consciência da pequenez que o aflige.

3. “Sim, eu sou frio assim mesmo. Isso te incomoda?”.

Eu e um carinha começamos a namorar 5 dias antes de entrarmos de férias na faculdade. Eu fui para a casa dos meus pais e, em duas semanas, ele não me ligou um dia sequer. Mesmo assim, eu viajei 10 horas num ônibus horroroso só para me encontrar com ele. Ao ser perguntado por que não havia me ligado, ele deu umas desculpas muito primárias, o que me levou a fazer a pergunta que resultaria nesta frase acima, como resposta. Não, isso não se trata de sinceridade da parte dele. Terminei o namoro mais rápido da minha vida, que, por motivos de praticidade, nem coloquei em minha lista de namorados. Antes só do que conviver com uma geladeira.

4. “Eu não vou beijar você. Ando muito nervoso ultimamente e isso me daria náusea”.

Essa frase também foi dita pelo médico (que ainda aparecerá outra vez neste ranking). Novamente, repito, ele realmente tem muito tato! Até hoje, se ele ler esta lista, ele tentará explicar que aquilo que você entende ao ouvir não é bem isso que ele quis dizer, mas isso não me importa mais. Dá náusea ouvi-lo falar.

5. “Quem andou neste carro?”.

Eu ia buscar um antigo namorado na faculdade e ele, ao abrir a porta do antigo Capeto, ao invés de me perguntar como eu estava, ele já ia fazendo essa pergunta ignóbil. Todo dia era a mesma coisa: ele se sentava no banco carona, observava a posição da cadeira, se estava mais à frente ou mais atrás, se ela estava mais reclinada, e me olhava como se ele fosse o pobre Bentinho e eu fosse a dissimulada Capitu. Ele sofria de insegurança doentia e sempre encrencava com um certo amigo meu, com o qual eu nada tinha, ao qual podemos, então, chamar de Escobar. Foram oito meses ouvindo a mesma patetada. Até o dia em que eu respondi: “Quem andou aqui foi o Escobar, mesmo. E ele simplesmente não andou. Nós fomos pro mirante e nós trepamos aí neste banco em que você está sentado”. E então expulsei o Dom Casmurro da minha vida. Sempre acreditei na inocência da Capitu, embora o Bentinho merecesse muito chifre.

6. “Você me liga mais tarde, para saber se eu vou querer falar com você”.

Isso é exemplo-mor do cúmulo da covardia, da canalhice e da molecagem. É auto-explicativo, e eu não preciso ficar gastando palavras (que não são baratas) em nome deste mané.

7. “Ai, minha taça de cristal!”.

Eis o médico de novo, finalmente demonstrando quais são as suas verdadeiras prioridades. Passei três horas conversando com o mancebo distinto e nobre (ao menos, ele queria se sentir assim), tentando defender a minha honra de tantas acusações injustas e da transferência de culpa para minha pessoa. Durante três horas, ele se manteve impassível, como se fosse um psiquiatra defronte um paciente de alta periculosidade. Durante três horas, nem sua expressão facial se alterou. Isso me enervou tanto que eu cometi uma violência (merecida): dei um tapa na cara dele para ver se ele reagia. E ele… não reagiu. Apenas deu um passo para trás por precaução e seu calcanhar esbarrou numa taça de cristal repleta de vinho que estava sobre o chão. A taça caiu, quebrou-se em mil pedacinhos e espalhou vinho para todo lado. E foi aí que ele, com um esgar pavoroso no rosto, saiu correndo para a área de serviço para pegar um pano, gritando que ele havia comprado aquela taça na PQP da Europa, que agora ele não teria mais o conjunto completo, que o líquido tinto poderia manchar o piso de ardósia e assim comprometê-lo na hora de devolver o apartamento alugado para o dono. Entenderam, né?

8. “Diga que me ama. Estou mandando!”.

Tem gente que precisa ouvir essa frase de três palavras a qualquer custo. Isso não significa que eu seja obrigada a dizê-la. E eu acabei dizendo para suprir a carência da pessoa, que certamente não era muito democrática.

9. “Eu não vou dizer que te amo agora, não seria verdadeiro”.

E eis o outro lado da moeda, para provar a vocês que eu já vivi o 8 e o 80. E eu não obriguei nem pedi que o cara (que é o mesmo da frase número 8) me dissesse nada. Então com ele era assim: “agora eu não te amo, mas daqui 20 minutos posso mudar de idéia, depois voltar a não amar mais, mas você tem que amar o tempo todo, nem que obrigada”. Não gostei da brincadeira. Obrigada.

10. (Frase retirada. Veja nos comentários)

11. “Você veio de van?”.

São nas situações inusitadas que você conhece a verdadeira personalidade de um idiota. Sabe aquele momento em que você não está esperando se encontrar com alguém mas se encontra? O que falar? Pois é. Ou esse cidadão quis ser diferente ou é banana mesmo. De um zilhão de combinações que poderiam ser feitas com as palavras da rica língua portuguesa, ele lançou mão dessa. Nós já éramos ex-namorados e acabamos nos encontrando numa prova, em São Paulo, em que ficamos na mesma sala por causa da letra inicial dos nossos nomes. Eu o encarei incrédula e disse: “Olha só! Meus pais me ensinaram a dizer oi quando se encontram pessoas conhecidas na rua”. E ele ainda achou que eu fui grossa. Ah, tadinho, Senhor Menezes!

12. “Obrigado pelo apoio logístico”.

É, pelo visto, o cidadão da frase acima tem tara por meios de transporte. Além de ter mencionado a van (sim, é o mesmo da frase número 11) e de, em outra oportunidade, eu o ter encontrado em pleno metrô paulistano, eis que ele me deixa um bilhete, com os dizeres acima, no pára-brisa do meu carro. Isso se deu porque nós estudávamos francês juntos e, numa das festas promovidas pelo cursinho, ele encheu a cara e eu fui a imbecil que o levou para casa, num sublime ato de boa vontade, pois eu não estava mais com o mané. E foi desta forma que ele me agradeceu. Prova de que ele realmente sabe bem escolher as palavras. Falando nisso, ele era um cara que achava que eu escrevia terrivelmente mal. Mal sabe ele que, ao fazer o vestibular da Unicamp, a minha redação foi escolhida a melhor dentre 80 mil candidatos e foi publicada no livro anual da universidade. O tema sobre o qual escrevi? Rá! Meios de transporte.

13. “Senhorito, não. Lembra cenourito. Isso não pega bem”.

Last but not least. O cara cismava em me chamar de senhorita, de usar um vocabulário empolado, cheio de polvilho anti-séptico Granado e leite de alfazema da Phebo, ao se dirigir à minha pessoa. No início, o excesso de cavalheirismo chamou a minha atenção, mas depois se revelou algo embaraçoso. Muita conversa, pouca ação, como na música do Elvis. Estava ficando enfadada. Então eu decidi provocá-lo, perguntando se na sua sapiência parnasiana ele sabia se havia em português um tratamento específico para homens solteiros, talvez um “senhorito”. Ao que ele imediatamente reagiu com a contribuição acima. E salientou a parte do “senhorito lembra cenourito”. Isso foi um sinal, mas eu resolvi arriscar, persistente que sou. E ele tinha razão em não querer relacionar uma coisa com a outra. Nada contra, o problema é que ato falho realmente ocorre. Freud explica.

 

O Lado Da Fernanda, Visto Pela Vanessa Setembro 20, 2007

Arquivado em: O lado da Vanessa — poroutrolado @ 10:29 am

Lá vem a pata…

E lá veio a menina, pequena, rebolando, andando de um jeito tão gracioso e desajeitado que só uma criança poderia ter. E o apelido pegou.

Pata aqui, pata acolá.  

E assim cresceu. Tentando se achar entre tantos “eus” diferente dos “eus” dos outros. Andando entre situações e pessoas, sempre a procura de um cantinho sossegado.  Aquele lugar onde ela poderia ficar tranqüila, curtindo o sol de olhos fechados. Longe de qualquer mal ou perigo. 

 Lá vem a pata…

E lá veio ela, do cerrado de Brasília para as montanhas de Minas Gerais. Mais precisamente: Juiz de Fora. Sabe como é, né? Ave migratória, às vezes, tem dessas coisas… Voa sem mudar a estação. Apenas segue seu bando.

Para ver o que que há…

E viu que os mineiros sabem beber cachaça.

Que amigo nem sempre se faz na primeira golada.

E que patos convivem numa boa com gatos.

Que dançar no carro pode ser mais empolgante do que na boate.

Mas que nem sempre as pessoas na rua entendem.

Que todo veículo que se preza há de se ter um nome.

E que chamar o seu de “Capeto” torna o passeio beeeem mais divertido.

Que cinema e rádio formam uma dupla interessante.

E que mais interessante só o Russel Crowe ao som do U2.

Que a França tem François Truffaut.

E que a Alemanha tem Leni Riefenstahl.

Que a faculdade não quer dizer somente aula.

Chopada, calourada ou sexta-cultural.

E que jornalismo é bom, interessante, enriquecedor, mas passa.

Lá vem a pata…

Querendo de novo voar. Dessa vez para terras desconhecidas, sem proteção do Ibama, e sozinha: Campinas.

Pata aqui pata acolá

E ela então tenta encaixar seu discurso no vocabulário dos outros. Seu desafio: lingüística. Emite sons na esperança de que alguém consiga compreender palavras. Sai de seu lago para ser entendida por cavalos, cachorros e até besouros! Só que ela se esquece de que cavalos relincham, cachorros latem e que besouros… Fazem o quê mesmo? Impressionante como um inseto consegue ser confuso às vezes… Talvez fosse melhor entender os patos antes… E não ficar esperando que eles virem cisnes, por exemplo! Malditos contos de fadas… Até ela, por conta disso, às vezes se esquece que ser pata, por si só, já tem toda uma graça.

 Lá vem a pata…

Para Juiz de Fora, se preparando para mais um vôo. No bico: margaridas que colheu pelo caminho.

Para ver o que que há…

Na vida.

No mundo.

E a música segue: lá vem a pata…

 

O lado da Vanessa, visto pela Fernanda Setembro 12, 2007

Arquivado em: O lado da Fernanda — migratoria @ 8:32 am

Dizem, em astrologia, que os últimos dias de um signo e os primeiros dias de outro fazem com que as características das pessoas tendem a se mesclar. Assim, pessoas desta estirpe estão sempre com um passo lá e outro acolá, ponderam de dois lados e somam experiências às vezes antagônicas. Verdade ou não, olhe para a Vanessa. Seu aniversário está na inauguração de Virgem no zodíaco, recém-saído de Leão.

Assim, tudo o que você observa à primeira vista nesta moça é leonino: os cabelos longos e volumosos, brilhantes e enrolados; o sorriso aberto e convidativo; o olhar intenso e a risada alta de bons acordes. Você se assusta com tanta energia mas é irresistível não se render a essa presença diante de seus olhos. E ela gosta disso, chama a sua atenção, canta com a voz doce para seduzir você. Mas não é uma sedução gratuita: como o rei dos animais protege e anima seu bando, ela é líder natural e junta você para mais perto dela, para que ela possa tomar conta de você.

Por outro lado, a mania de fazer tudo ao mesmo tempo e a inconfessável necessidade de que as coisas tenham o seu devido lugar no tempo e no espaço não renegam a virginiana. Observe a destreza que ela tem em trabalhos artísticos: leoninos são atrapalhados e não se concentram, enquanto lá está ela fazendo camisetas em tie-die, cartões cheios de desenhos e frases bonitas, bijuterias e enfeites em bolsas e demais acessórios. Observe que, quando você conversa com ela, os assuntos são os mais variados, e às vezes até parece que ela está lendo seu pensamento, se acostumando ao seu registro e dizendo as coisas mais sensatas que você é capaz de ouvir em uma mesa de bar. Observe a certeza com que ela dá um veredicto; é verdade que este só surge depois de muito tempo de espera, mas quando surge, sai de baixo: seu julgamento é incorruptível e ela acredita fielmente naquilo que é justo e correto. Agora observe ainda que, atrás da gargalhada receptiva, existe uma fragilidade, um pedido de colo, uma ingenuidade quase infantil requerendo um doce pela travessura.

Ser virginiana já faz com que ela seja, por si só, um ser interessantíssimo. De um lado, para ela, tudo é lindo, belo e harmonioso; não há algo melhor a se desejar do que a certeza e a previsibilidade das coisas. E então ela sente medo de entregar seu nobre coraçãozinho aos machucados da vida, ao caos, ao desperdício; fica em insistente busca pelo relacionamento perfeito, pelo momento perfeito, pelo sonho perfeito. Ela acredita que pode passar a maior parte dos seus dias assim, quase cartesiana, tomada desse estado de espírito onde tudo tem de parecer apurado, útil, necessário.

E, de repente, a harmonia cede lugar a uma ambição desesperada, e ela entra de cabeça em experiências das mais malucas e não há força que a retire desse estado onde tudo é provisório e, por isso mesmo, extremamente atraente. Acredita estar fazendo e perseguindo planos errados, quer se endireitar e não consegue, cobra daqueles que a retiraram do “sério” uma resposta à altura de sua perdição. Ela recorre então ao que é místico, à natureza, à arte inspiradora, à simplicidade e volta sozinha mesma ao lugar de onde ela acha que jamais deveria ter saído, até se envolver com o destino e se entregar novamente.

Há algum tempo atrás, eu não costumava acreditar em astrologia, nessa história de que nossas personalidades e desafios de vida sofrem influências do cosmos. Há pessoas que desviam o olhar quando o assunto é encontrar seu ponto no universo; algumas pessoas, há mais de dois mil anos atrás, resolveram fazer isso também, mas olharam para as estrelas, e viram nelas coisas que não conseguiam ver em si mesmas. Com o passar do tempo, e percebendo que embora eu não sinta que Júpiter comanda meu destino, admiti que existe em astrologia uma irrefutável alegoria de auto-conhecimento. Uma conhecida certa vez me disse ser tudo isso muito romântico, no sentido original da palavra: idealista, transcendental e apaixonado. Talvez, mas se uma vida não tiver o toque de uma dessas três coisas, me desculpe, essa vida não deve valer muito a pena.

Engraçado, a astrologia nos faz olhar para o céu para compreendermos melhor quem está perto de nós. Às vezes, não nos resta senão alegorias para expressarmos o que vemos e sentimos. Eu, aqui, não estou fazendo diferente dos antigos babilônios.

Já em horóscopo eu nunca acreditei e nunca acreditarei. Não gosto de previsões. Ainda bem: imagina se eu pudesse prever a Vanessa? Que graça teria? Então eu fico com a astrologia, que me proporcionou as melhores palavras para falar sobre uma pessoa que não é uma qualquer. Eu a elegi irmã de alma, como se nosso encontro na UFJF estivesse escrito nas estrelas e eu aceitasse a boa nova. E quanto ao futuro, bom, eu deixo essa moça me surpreender. Embora eu saiba que posso sempre esperar dela o melhor.

 

Começo Setembro 12, 2007

Arquivado em: O lado da Vanessa — poroutrolado @ 8:29 am

Na maioria dos casos, somos sempre apresentados a alguém. A um amigo, a um parente distante, a um amor em potencial, enfim… a um outro lado. De experiências, de fatos, de lugares, de problemas, de vida. Em alguns momentos, a gente até se antecipa, veste a cara-de-pau e se apresenta o mais rápido possível. Sem intermediários. Para não perder tempo. Independente da compreensão dessa pressa. Sintonia talvez… Ou apenas santos que se dão bem.

Dessa forma, aqui não poderia ser diferente. Por isso, puxe a cadeira e sente… que lá vem história. Da Fernanda e da Vanessa. Da menina de Brasília. E da menina de Minas.  Mas nada de auto-análise e divã. Pelo menos, por enquanto não. Isso a gente deixa para quando já tivermos intimidade. ;o)

Uma fala da outra. Melhor. Só vê lá o que você vai contar, hein, Fê?

Hora de mudar o rumo da prosa.

 

Lados e ângulos e visões Setembro 9, 2007

Arquivado em: Os dois lados — migratoria @ 12:24 am

O cinema, que a gente tanto adora, tem um lado negativo. A tela é plana, e faz a gente ter a impressão de que a vida é assim, unilateral. Mas mesmo no cinema há a imagem e há o som, e há a tentativa de profundidade.

Os livros, que a gente tanto adora, tem um lado negativo. O papel é plano, e faz a gente ter a impressão de que a vida transcorre assim em seqüência. Mas mesmo nos livros há a história que salta das páginas.

E assim ocorre com várias tantas outras coisas que a gente tanto adora: a impressão de que o invólucro tende a dominar o conteúdo.

Na nossa cultura, onde as embalagens são poderosas, onde os sabores são artificiais, onde as cores são de anilina, a gente continua querendo algo mais. A gente até não sabe se faz bem isso, de olhar mais que olhar, de ver mais que ver, de sentir mais que sentir. Mas, em todo o caso, e como resultado, a experiência de aprofundar mais um pouquinho é sempre enriquecedora e não tem prazo de validade.

Dizem que duas cabeças pensam melhor que uma. A gente fica pensando nisso, e acha que há um ganho em duas pessoas trabalhando juntas. Mas ganho não significa, necessariamente, que a gente some um mais um. Às vezes, a gente soma. Às vezes, uma soma e a outra diminui. Às vezes, a gente diminui. Mas também existem outras operações: a gente pode multiplicar, dividir, fracionar, potencializar, radicializar, equacionar.

Assim, a gente resolveu juntar tudo, não numa coisa só, mas em algo maior e mais bacana. Permitir a pluralidade e a singularidade. Permitir a contestação e a concordância. Tudo ao mesmo tempo. Assim, a gente resolveu juntar fato e versão, plano e dimensões, e escrever sobre o que a gente vê, e também sobre o que não vê.

Mas também a gente não vai permitir um total caos. A idéia é cada uma de nós focar os olhos sobre um tema e lançá-lo. A outra vem e analisa a questão com seu próprio ponto de vista. A discussão pode ser interminável, mas a idéia não é chegar a conclusões.

De um lado, tem a Vanessa, e o lado da Vanessa.

De outro lado, tem a Fernanda, e o lado da Fernanda.

Mas também existem outros lados: o seu, o dele, os deles. Você pode entrar nessa função e sair melhor ou pior, maior ou menor, positivo ou negativo, mas nunca igual e sempre desigual.

Ninguém precisa ver como todo mundo, é claro. A liberdade de debate que a gente abre aqui é interessante, mas ela não é, de forma alguma, libertina. Se você, durante o tempo em que ler o lado de alguém, não for tolerante com a visão do outro, então você não está no clima ideal. Aqui, a gente tem poucas certezas e pouco orgulho.

Integre-se ao exercício de humildade e de responsabilidade, dando a cada um o direito de expor seu ângulo da questão, até se colocando no lugar do outro enquanto o outro se expõe. Assim a gente acredita que as coisas ficam melhores; aliás, esta é a única certeza que a gente tem.

Seja bem-vindo!