Por outro lado

Tudo tem, pelo menos, dois lados

Lados e ângulos e visões Setembro 9, 2007

Arquivado em: Os dois lados — migratoria @ 12:24 am

O cinema, que a gente tanto adora, tem um lado negativo. A tela é plana, e faz a gente ter a impressão de que a vida é assim, unilateral. Mas mesmo no cinema há a imagem e há o som, e há a tentativa de profundidade.

Os livros, que a gente tanto adora, tem um lado negativo. O papel é plano, e faz a gente ter a impressão de que a vida transcorre assim em seqüência. Mas mesmo nos livros há a história que salta das páginas.

E assim ocorre com várias tantas outras coisas que a gente tanto adora: a impressão de que o invólucro tende a dominar o conteúdo.

Na nossa cultura, onde as embalagens são poderosas, onde os sabores são artificiais, onde as cores são de anilina, a gente continua querendo algo mais. A gente até não sabe se faz bem isso, de olhar mais que olhar, de ver mais que ver, de sentir mais que sentir. Mas, em todo o caso, e como resultado, a experiência de aprofundar mais um pouquinho é sempre enriquecedora e não tem prazo de validade.

Dizem que duas cabeças pensam melhor que uma. A gente fica pensando nisso, e acha que há um ganho em duas pessoas trabalhando juntas. Mas ganho não significa, necessariamente, que a gente some um mais um. Às vezes, a gente soma. Às vezes, uma soma e a outra diminui. Às vezes, a gente diminui. Mas também existem outras operações: a gente pode multiplicar, dividir, fracionar, potencializar, radicializar, equacionar.

Assim, a gente resolveu juntar tudo, não numa coisa só, mas em algo maior e mais bacana. Permitir a pluralidade e a singularidade. Permitir a contestação e a concordância. Tudo ao mesmo tempo. Assim, a gente resolveu juntar fato e versão, plano e dimensões, e escrever sobre o que a gente vê, e também sobre o que não vê.

Mas também a gente não vai permitir um total caos. A idéia é cada uma de nós focar os olhos sobre um tema e lançá-lo. A outra vem e analisa a questão com seu próprio ponto de vista. A discussão pode ser interminável, mas a idéia não é chegar a conclusões.

De um lado, tem a Vanessa, e o lado da Vanessa.

De outro lado, tem a Fernanda, e o lado da Fernanda.

Mas também existem outros lados: o seu, o dele, os deles. Você pode entrar nessa função e sair melhor ou pior, maior ou menor, positivo ou negativo, mas nunca igual e sempre desigual.

Ninguém precisa ver como todo mundo, é claro. A liberdade de debate que a gente abre aqui é interessante, mas ela não é, de forma alguma, libertina. Se você, durante o tempo em que ler o lado de alguém, não for tolerante com a visão do outro, então você não está no clima ideal. Aqui, a gente tem poucas certezas e pouco orgulho.

Integre-se ao exercício de humildade e de responsabilidade, dando a cada um o direito de expor seu ângulo da questão, até se colocando no lugar do outro enquanto o outro se expõe. Assim a gente acredita que as coisas ficam melhores; aliás, esta é a única certeza que a gente tem.

Seja bem-vindo!

 

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