Por outro lado

Tudo tem, pelo menos, dois lados

Nada de inexorável! Novembro 19, 2007

Arquivado em: Escolhas da Vanessa — poroutrolado @ 8:22 am

Hoje é 19 de novembro e falta um boooooom chão para o meu aniversário! Ou seja, ao contrário da Fê, eu não estou ficando velha. Muito pelo contrário, eu estou, vamos dizer, na floooor da idade!

Dizem por aí que as pessoas quando são novas adoram divulgar a idade que tem. Exibir aos quatro ventos que ainda são novinhas enquanto o resto do mundo sofre de problemas na coluna, falta de memória e queda de cabelo. Não, não… Eu não faço isso de graça. Eu acho até interessante as pessoas me darem altas idades quando, na verdade, eu estou ainda começando a vida. Então, fique na curiosidade.

Sendo assim, fiz uma listinha também que mostra perfeitamente como a minha alma é extremamente jovial. Renew? Nem pensar! Eu ainda vivo de luz. Sem proteção nenhuma. Quando eu chegar na idade da Fê, eu penso nisso… hahaha

Ser completamente apaixonada por pipoca!
Eu não consigo resistir. É mais forte do que eu! E vale pipoca de tudo quanto é jeito: salgada, doce, misturada, pura, de panela, de microondas, com manteiga, leite condensado (em cima da salgada! A oitava maravilha do mundo!), orégano, sazon, queijo, e sei lá mais com quê! Enfim, sou viciada. Sei dizer qual pipoqueiro que capricha, qual engana e qual devia começar a trabalhar só com pelinha, deixando de lado o milho. Nunca fiz um regime, mas com certeza, se começasse um, pipoca é que não iria entrar na lista dos vetados. Sinto muito.
Ps: Quem souber uma receita maravilhosa, favor passar pra frente. Meu e-mail está neste Blog. Por favor, não esconda informação.

Ler revista em quadrinho até hoje!
E eu não estou falando de revista feita para adultos! Leio Mônica, Chico Bento, Cebolinha…rs Cascão e Magali eu leio menos. Eles são mais chatos! Agora, os outros??? Direto! É fácil me encontrar de bobeira com uma edição na mão. Após ler, às vezes, eu até passo a revistinha pra frente. Dou para algum pai de família ou irmão de criança, avó, enfim… Não sou egoísta, não, tá? Só tem dois problemas: o primeiro, é que volta e meia eu encontro alguma historinha que eu já conheço. E o segundo, é que rapidinho eu leio as revistas… Ou seja, o passatempo dura pouco. É… Isso aí de ler rápido é grave! Já mostra que a idade está chegando…

Sempre é dia de aprontar!
Dar susto nas pessoas, fazer surpresas, pegadinhas, pregar peças… Essas coisas. Não é à toa que meu vô fala que eu só tenho tamanho e sacanagem. É, eu adoro um mal feito, admito. Sou daquelas que apronta e ainda morre de rir. Mas não faço maldade, não. E nada muito grande (só de vez em quando… rs). As palhaçadas costumam ser no dia-a-dia mesmo. Minha molecagem é saudável… rsrs

Assistir desenho infantil
OK, ok, ok, aquela vez em que eu disse que precisava levar a minha priminha ao cinema pra ver um desenho… era mentira! EU queria ver o filme e chamei ela. Pronto. Falei!;o) E já fiz isso outras trocentas vezes, sem contar aqueles que assisto em casa mesmo. O único ruim é quando determinado desenho só tem versão dublada. Aí é dose porque criança no cinema aplaude, grita, fala alto, essas coisas. Pelo menos dessa fase eu passei, né? Se bem que pensando aqui, eu nunca fiz isso em cinema, não. Pô, “mó mico” fazer isso, fala a verdade!

Gostar de jogar vídeo-game
Mas tem que ser aqueles de passar fases, conquistar coisas no decorrer do trajeto e tal. Quer desafio maior do que fechar um troço desse?? Nada daquelas lutinhas em que você tem que combinar o botão A com o botão B com três toques para baixo pro cara dar um salto ninja na cabeça do adversário, logo após de ter dado um parafuso. Não, não! Meu espírito jovial é feminino! Ora ora…

Brincar com criança
Se você me encontrar no chão de duas uma: ou estarei dançando ou brincando com o filho de alguém. Pode ser com bonecos, com carrinho, com legos… Sem preconceito! Dependendo do que for é capaz de eu me divertir mais do que o ser pequeno. O danado vai ser descobrir quem é a criança nesse caso… 

Bom, agora chega de lista. Daqui a pouco você vai começar a achar que eu tenho problemas sérios na cabeça… De preferência um atraso mental! rs
 

 

Enfim, o inexorável Novembro 12, 2007

Arquivado em: O lado da Fernanda — migratoria @ 5:15 am

Hoje é 12 de novembro e falta, exato, um mês para o meu aniversário.

Dizem por aí que mulheres não devem divulgar a idade que têm. Eu nem ligo. Até porque eu não estou fazendo uma idade tão avançada. Completarei 27 anos naquela que eu considero uma data especial. Adoro o dia do meu aniversário, adoro ser sagitariana e adoro até o fato de que a proximidade com o Natal sempre fez eu ganhar só um presente em dezembro.

Eu não sinto que já se passaram 27 anos; feliz ou infelizmente, sinto que foram menos. Em todo caso, até agora eu já vivi um bocado para dizer que eu aprendi muita coisa. Mas a questão que não cala é a de que eu estou, sim, ficando velha e algumas de minhas atitudes já demonstram isso.

Talvez a principal prova de que eu esteja precisando começar a usar Renew seja uma convicção à primeira vista estranha e sempre mal-compreendida. E esta convicção é a de que não adianta mais ficar rodeando assunto. Nada como uma conversa franca e direta, sem joguinhos, sem indiretas, sem desculpas esfarrapadas e sem insinceridades.

Por isso, eu fiz uma pequena lista que demonstra a minha real e honesta percepção de que a idade chega para todos, e está batendo, mesmo que de leve, na minha porta. Eis o espírito com que eu inaugurarei mais um ano de vida.

 

Observar o que acontece com os mais velhos

Minha irmã é quatro anos mais velha do que eu. Esta semana, ela passou por um problema sério de saúde: fortes dores na coluna e travamento muscular. Ela mal conseguia se mexer e teve de tomar um remédio que é indicado para pós cirurgias ortopédicas. Fui eu quem a levou ao médico e que acompanhou todo o diagnóstico. Enquanto a consulta e os procedimentos ocorriam, eu só ficava observando. Meu pai têm, também, problemas de coluna como estes. E tanto ela quanto ele sofrem da coisa pelo mesmo motivo. Dentro do meu coração, eu senti uma voz me falando: “Veja isso, garota. Não faça igual. Continue suas corridas ao ar livre pela manhã, continue comendo seu arroz integral, mas não deixe o mesmo acontecer com você”.

Se existe algo relacionado à saúde que me faz tremer nas bases é a possibilidade de ficar diabética. Temo isso como a minha mãe teme barata voadora no escuro. E o pânico até tem certo fundamento, porque tanto de um lado quanto de outro da família existe aquilo que meu tio chama de “fábrica de açúcar”, ou seja, vários diabéticos. Só de pensar na hipótese de que eu terei o-bri-ga-to-ri-a-men-te de abrir mão do meu brigadeiro eu desfaleço. Então eu acabei chegando a conclusão de que o melhor, hoje, é comer doce com moderação. Melhor do que jamais comer doce no futuro.

 

Trocar o foco da referência

Quando eu era adolescente, eu percebia que a referência das coisas sempre era aquilo da mais ultra novidade no mercado. Estar em dia com o mundo significava estar no mesmo lugar dos lançamentos.

Sim, a vida atual nos leva a estar em dia com tudo o que acontece ao redor. Mas eu aprendi que novo não significa melhor. Já foi o tempo, por exemplo, em que eu ficava com comichão para ouvir o novo álbum do U2. Hoje, eu pego na minha estante aquele velho Joshua tree e tenho o melhor dos momentos. Até porque, se a gente observar o Sr. Bono Vox hoje, nem mais “boa voz” ele tem.

Às vezes eu me refiro a João Penca e seus Miquinhos Amestrados e as pessoas que me ouvem dizer isso não só riem do nome como riem da minha velhice em citar algo que ninguém mais conhece. Eu, por mim, já não me importo. Quanto mais a gente fica velho, mais a gente entende a expressão “valor sentimental”.

 

Ter vontade de ler tudo de novo

Eu sinto uma vontade incontrolável de ler tudo de novo. Ler de novo todos os livros que eu li anos atrás e que eu interpretei de outra forma. E isso acontece com filmes, com letras de música, com velhos diários, com agendas aposentadas. Isso, no entanto, pode ser perigoso. Entender as coisas com mais clareza assusta.

 

Pensar em como vou receber meus filhos no mundo

Sabe aquela famosa frase do Sílvio Luís: “O que é que eu vou dizer pro meu filhinho?”. Pois é, eu tenho pensado nela nos últimos anos, mas não em relação a futebol. Não é nem uma questão de que tipo de exemplo eu vou ser para minha prole um dia. Isso seria contra a minha própria natureza de ser, ao menos, coerente comigo mesma. Não queria ser como aqueles que foram hippies tresloucados e hoje são os pais mais caretas da face da Terra.

Não, não é isso. Eu fico pensando no que eu vou oferecer quando meus filhos chegarem à minha vida. Vou ser uma mãe inteligente e ainda bonita, que trabalha fora, que tem uma estante cheia de memórias divertidas, que inventa boas histórias para contar à noite na hora de colocá-los para dormir? Talvez eu esteja tendo um pensamento classe média, mas, afinal, eu sou filha de classe média.

O que eu queria era fazer da infância dos meus filhos uma coisa boa. E, quanto mais o tempo passa, mais eu vejo quantas coisas eu gostaria de fazer antes de virar mãe. Tantos livros, tantos discos, tantas viagens, tantos tantos antes. Mas eu queria viver todos esses tantos para ser melhor para eles.

E isso, sub-repticiamente, mostra que eu preciso arrumar um emprego melhor.

 

Ter paciência com o erro dos outros

Dar conselho é uma das práticas mais complicadas da humanidade. Coisinha difícil essa, de ajudar alguém a encontrar a ponta do novelo ou a saída de emergência para as coisas da vida. Hoje eu evito ao máximo abrir a boca para dar minha opinião sobre a vida de alguém, mesmo que instigada a isso. Só o faço com pessoas muito próximas e, neste caso, às vezes, admito, até falo demais.

Mas o que acontece de interessante é que, quando eu vejo um amigo passando por um problema que eu já tenha experimentado, eu sinto uma enorme compaixão por tudo. É claro, eu tenho essa sina de gostar das pessoas pelo que elas têm de defeito. Mas, é claro, defeito demais também irrita. Mas se o defeito for algo que eu tenho como familiar, a pessoa certamente contará com a minha paciência.

Isso é complicado. Muitas vezes as pessoas estão experimentando aquele aperto pela primeira vez, se esbravejam com facilidade tremenda e acabam ferindo minha paciência quase apaixonada diante delas. Mas tudo bem, eu entendo que esses trovões todos também fazem parte da coisa.

 

Poder dizer que errei porque quis

Sim, as situações na vida da gente, quando mal resolvidas, tendem a se repetir. Não com a mesma pessoa, mas em roupagens novas que, no entanto, em essência, são as mesmas. O cerne da questão, obviamente, é saber reconhecer que as coisas se repetem. E aí, quando a gente percebe que o filme parece estar recomeçando, é bem bacana poder dizer para a gente mesmo: “Tá, eu vou entrar nessa de novo porque eu quero”. É muito ruim ser vítima do destino.

 

Não ter paciência com gerações mais novas

Houve um período em que eu achava minha infância e minha adolescência terríveis. Eu olhava para pessoas mais velhas do que eu e acreditava que elas tinham vivido esta fase de forma melhor do que eu vivi a minha.

Hoje um simples passeio pela rua, num sábado à noite, vem me mostrar a nova geração, da qual eu não mais faço parte. Quando eu vejo os novos adolescentes, eu acho tudo tão esquisito! As roupas que eles vestem não me agradam. A forma como eles se comportam me incomoda. As conversas me entediam. As histórias que eles contam não têm graça.

Então eu experimento da auto-confiança dos mais velhos quanto ao passado. O segredo não é que minhas experiências foram melhores. Eu simplesmente fiz as pazes com o que eu vivi até agora. E aí, sim, a coisa tem um sabor que parece impossível não achar mais interessante. Não há outro lugar em que eu gostaria de estar senão na minha própria idade.

E às vezes eu mesma me pego praguejando como o meu pai, que olha os meninos e as meninas aglomerando os espaços e, balançando a cabeça, diz: “Que saudade de quando eu era pequeno!”.

 

O torcedor – por trás da carta Novembro 5, 2007

Arquivado em: O lado da Vanessa — poroutrolado @ 12:21 am

Torcedor é um bicho engraçado, sabia? Com certeza, um prato cheio para um antropólogo, um psicólogo ou qualquer outro “ólogo” dessa vida. Não acredita? Então vá assistir um jogo e preste atenção na arquibancada e não no campo. Lógico, vá a uma partida que não te interesse, porque senão de observador você vai virar objeto de estudo. Há sempre um “ólogo” por aí. Acredite.

Para os jogadores, não há muita diferença entre um torcedor e outro. Tudo parece ser a mesma coisa: um grupo enorme de pessoas torcendo por eles. E só. Só? Estar a favor do time também significa esperar atitude, garra e determinação. Expectativa de quem os observa. E isso já é uma grande pressão. Convenhamos. Então fica aquela coisa… O time até gosta da torcida, é ela quem lhe dá apoio contra o adversário. No entanto, ao mesmo tempo não deixa de temê-la. Ninguém quer amarelar na vida. Ainda mais quando os holofotes estão apontados para apenas um lugar: o campo.

Tem torcedor que chega a insultar o próprio time. Fala mal de todos, critica a diretoria do clube, chama o técnico de burro e não o juiz. É cruel em seus julgamentos. E os jogadores ficam ali, sem entender. Afinal, isso é gostar? Isso é querer que o time vá para frente? Estranho jeito de amar, muitos pensam… O que não notam é que comportamento pode ser “pura jogada”. Se o torcedor provoca é porque ele quer uma reação! Ele quer que o jogador se sinta motivado a provar o contrário. E não o deixar mal. Quer dizer, só um pouquinho… Dor é necessário para crescer, né? Esse torcedor é do tipo que não gosta de passar a mão na cabeça porque acredita que assim deixará o time mal-acostumado. Psicologia inversa, sabe? Às vezes até funciona. Ele bem que tenta.                             

Tem torcedor que nem vai ao estádio. Prefere se ausentar. Acredita que faz tudo errado e que não dá sorte pro time. Ou então pensa as coisas mais absurdas como “Vamos ver como eles jogam sem mim”. Como se a presença dele no estádio fosse essencial para o gol. A questão é: falta ele perceber que tudo depende mais da vontade de ganhar do TIME, do que da dele. Nada vai adiantar se os jogadores não buscarem, realmente, o resultado.  

Tem torcedor que se agarra às simpatias. Faz promessa pra tudo quanto é santo e possui mil manias no decorrer do jogo. Não muda de posição quando o time está bem, veste a mesma roupa da última vitória para assistir à partida e não vai com o vizinho ao estádio porque ele é pé frio. Mantém a tradição e o ritual enquanto às vitórias vão acontecendo. É extremamente fiel e dedicado. Seu time, para ele, é quase uma religião. Agora, o interessante é quando ele se distrai e perde um lance importante. Pronto! Gol do adversário! É capaz de ficar se culpando… Se ele estivesse acompanhando seu time e rezando, vibrando pela equipe isso não teria acontecido. Pois é… Quebrou a corrente. 

Tem torcedor que fica calado. Sofrendo quieto, com os olhos grudados no campo. Acompanha cada lance. Levanta nos momentos importantes, senta de novo. Fica tenso. Mas não diz nada. Não acredita que seus gritos possam ajudar com alguma coisa. Na verdade, não acredita que ele possa mudar alguma coisa. Então ele fica ali. Quieto. Apenas observando e torcendo pela vitória. Ninguém sabe de sua existência. E a partida segue…

Já o tipo mais comum é aquele torcedor que grita, xinga, perde as estribeiras e a razão. Por pouco não bate na pessoa que está do lado. Fala cada bobagem… Torce pelo gol, pelo passe certo, mas faz isso de uma maneira tão agressiva que é capaz de assustar os jogadores e a bola. E ai de quem falar mal do atacante, do técnico ou até mesmo do gandula! Leva bronca pesada! Vira bicho por causa da sua equipe. Se colocasse um espelho na frente talvez nem se reconhecesse! Nesses casos, talvez seja melhor mesmo um aparelho de pressão para não deixar o coração apagar numa dessa. Nunca se sabe…

E por fim, tem aquele torcedor que é um pouco de tudo. Tem seus momentos, tem suas táticas. Simplesmente age de acordo com a situação. Pode falar mal, pode falar bem, pode virar as costas, pode apoiar, pode, inclusive, se ausentar por muito tempo. Vai de acordo com a maré e com seu humor. Quer dizer, na verdade, vai de acordo com a postura do outro. E o outro, nesse caso, nessa relação, é o seu time.

Paixão. Essa é a palavra que faz com que o torcedor saia do seu normal, que faz com que ele fale coisas ruins, perca o prumo e às vezes até a razão. Paixão. Essa é a palavra escondida atrás de cada grito, de cada “uuh!” quando a bola passa raspando pela trave, e de cada choro de desespero diante de uma derrota. Mesmo que esta não signifique o fim do campeonato. Paixão, somente ela explica, mesmo que não justifique certas atitudes do ser-humano. Que incrivelmente consegue até brigar com o outro, mesmo que esse outro esteja do seu lado. Paixão, que cega os envolvidos de um relacionamento, mesmo que este se estabeleça em um estádio. Time e torcedor – personagens principais do futebol e que, às vezes, não conseguem enxergar que ambos querem, na verdade, a mesma coisa: o gol.