Caro 2008,
você deve achar estranho eu estar escrevendo para você sem ao menos o conhecer. Perdoe-me a ousadia, mas eu tenho a teimosa mania de ter esperança sobre o futuro. Uma vez me disseram que o tempo cura as feridas e eu aprendi que esta frase é uma das poucas verdades que existem no mundo. Então eu olho para você e já acredito que você será um ano melhor que 2007 foi.
Não estou sendo ingrata ao já me desfazer deste ano que se acaba. 2007 foi bom para mim, mas o que ele tinha a oferecer já foi oferecido. O que eu aguardo ansiosamente é por mais dias, e esta carta é para pedir-lhe permissão para curtir você com intensidade.
Há coisas que eu desejo profundamente em minha vida. O principal dentre esses desejos é o de realizar sonhos. Minhas idéias sempre ficaram muito presas à minha cabeça, mas eu admito estar cansada de ver a vida pelo travesseiro. É fato que eu não tenho sido muito corajosa; há momentos em que eu me percebo muito conservadora e conformista. Não quero, por outro lado, ser rebelde. Queria que você trouxesse aos meus dias algo que tem faltado: dinamismo. A rotina tem me deixado um tanto cega e embrutecida.
Talvez 2007 faça para você um perfil meu antes de ir-se embora. Espero que este relato mostre o quanto, há tempos, eu venho sofrendo por não saber meu lugar no mundo. Vou conhecer você com a angústia de quem procura por algo sem saber exatamente o que está procurando. Você há de notar que eu me escondo para não ver com clareza as dúvidas que me cercam. São dúvidas existenciais, sim, mas outras tantas são extremamente práticas. 365 dias podem ser poucos para aplacar este vazio, mas eu gostaria de encontrar em você um momento, que seja, de paz e preenchimento. Oriente-me nesta busca, meu ano bom!
Minha conta bancária não vê a vida azul há tempos. Isso, eu admito, por minha culpa, minha única culpa. E só de pensar nas origens dessas calças curtas eu já entro em auto-punição. Estou me esmerando em disciplina e economia para aprender o valor do dinheiro, mas o meu período de privação está longo demais. Se você quiser, eu me visto de amarelo para o nosso primeiro encontro, às primeiras horas da madrugada. Amarelo, para sua informação, é a cor de que menos gosto, mas faço o sacrifício de usá-la para ser agraciada com rendimentos melhores nos dias em que passarmos juntos.
Quando eu conheci seu velho amigo 2006, eu recebi uma notícia que, à época, não foi agradável. Custaram-me dois anos para superar aquele telefonema e para perceber que a notícia era, de fato, um presente. Sim, o tempo cura. E o tempo curou até demais. 2007 há de lhe dizer que eu estou esperando por um homem que venha a somar em minha vida, e não a subtrair, ou a me dividir ou a me multiplicar sem ganhos. Será você que me irá trazê-lo?
Ah, meu bom ano! Quero aproveitar cada hora dos seus dias, lendo os livros que ainda não li, aprendendo o que ainda não aprendi, encorajando o que ainda não encorajei! Não me deixe perder valioso tempo com preguiça, sono ou desilusões demais. Troque o disco da minha trilha sonora e deixe minha vida mais rock’n'roll. Já vou ajudando, dizendo que eu concordo com os Rolling Stones quando eles cantam: “Você não pode sempre receber o que você quer, você recebe o que precisa”. Eu espero que você acredite que eu preciso de tudo aquilo que eu quero.
Mas desde já vou lhe adiantando: será um prazer conhecê-lo.
Com toda a sinceridade com que lhe recebo em minha vida,
Fernanda.
Estou sentindo falta de publicações por aqui. Aliás, já se passaram 45 dias do Ano Novo e você anda muito calada… ESpero que tudo esteja bem.
Beijo grande, cheio de saudade.