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	<description>Tudo tem, pelo menos, dois lados</description>
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		<title>Por outro lado</title>
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		<title>A ansiedade</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 00:25:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>migratoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Fernanda]]></category>

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		<description><![CDATA[A ansiedade é um monstro de mil braços. Sem cabeça.
Ele vem subindo primeiro pelos meus pés, dando uma ligeira sensação de tremor nas bases.
Depois as mãos hábeis escalam pelas pernas. O passeio desses vários dedos provoca uma coceira irritante, invisível, que não me deixa sentar confortavelmente.
 Quando as mãos atingem meus quadris, as reações nervosas são [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=56&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A ansiedade é um monstro de mil braços. Sem cabeça.</p>
<p>Ele vem subindo primeiro pelos meus pés, dando uma ligeira sensação de tremor nas bases.</p>
<p>Depois as mãos hábeis escalam pelas pernas. O passeio desses vários dedos provoca uma coceira irritante, invisível, que não me deixa sentar confortavelmente.</p>
<p> Quando as mãos atingem meus quadris, as reações nervosas são tão incômodas que as pernas começam a balançar sozinhas, para cima e para baixo, num movimento mecânico e cansativo. Dobro uma perna sobre a outra, mas o efeito não cessa.</p>
<p>Então os braços se apoderam do ventre, apertando impiedosamente, e não há intestino que sobreviva a esse ataque covarde. A barriga se contorce, reclamando de dor e de tensão. O estômago fica pequeno e quer jogar tudo para fora, de volta para onde tudo veio.</p>
<p>A invasão dos pulmões por esses braços autoritários é talvez a mais severa. A respiração fica pequena, infantil, insegura. O ar, que quer ser engolido pelas artérias, é rejeitado por esse monstro, que imprime na circulação uma respiração própria, alienígena. Tudo se altera. Os batimentos cardíacos, o ritmo do sangue, a odor da pele, o penteado dos cabelos, a cor dos lábios, o sorriso no rosto. Tudo se desfigura, para o tom roxo acinzentado deste ataque terrorista que, a partir daí, se torna irresistível, intransponível, intransigente.</p>
<p>A tomada dos meus braços é uma questão de segundos. De repente, acabam-se as coordenações motoras. Os músculos se entregam e respondem inconscientemente com nenhum contragolpe. Meus dedos tremem, ou batem inconsequentemente qualquer superfície em que esteja em contato.</p>
<p>O pescoço não oferece obstáculos. Em breve, os mil braços e os zilhões de dedos invadem o quartel-general do meu corpo, seu objetivo último. Esse monstro deseja minha cabeça porque é um parasita, e urge pelos meus neurônios, pela minha sanidade, pelo meu bom senso. Deseja instalar em mim uma nova ordem, contrária ao fluxo das coisas. Quer me deixar insensata, entorpecida, intratável, impossível.</p>
<p>Não há sutileza nesse processo. Ele se alimenta da minha inconsciência, dos medos reprimidos, da baixa auto-estima, e os amplifica.</p>
<p>O cérebro é, no entanto, um órgão guerreiro, e resiste ao máximo a essa exploração infame. Quando o resto do corpo já se entregou sem luta, ele cria um movimento de resistência, não aceita que seu reino seja assim revertido de forma apócrifa. Empacota mensagens subliminares, sutis, sua única forma de ação, e envia-as pelo frágil pulso resiliente dos neurônios. Ele diz: o melhor remédio é a calma.</p>
<p>Calma, calma, calma, o cérebro repete. E o corpo, em transe, desesperado, totalmente ocupado. A cabeça dói, grita, parece que vai arrebentar. Mas a tortura do monstro não vai permitir que eu me rompa. Provoca, ao contrário, rompantes. Violência sai de minhas palavras, de meus atos.</p>
<p>Ah, insensatez!</p>
<p>Ah, impotência!</p>
<p>Não é o primeiro ataque que sofro, mas parece todo novo. Pega-me de surpresa, nos momentos em que eu esqueço que ele existe, no momento em que os desafios abrem a guarda. Oportunista que só ele, esse monstro não bate à porta, mas acha que foi convidado.</p>
<p>A ansiedade é um monstro de mil braços. E tomou minha cabeça.</p>
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		<title>O pássaro negro</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2008 14:21:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>migratoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Fernanda]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou procurando todos os filmes e as músicas que falam de heróis. Quero saber de heróis aqueles que, na hora do grande desafio, não amarelaram, não fugiram e enfrentaram com honra o momento oportuno.

Cenas de batalha sempre me emocionam, e eu me pego então sendo uma mulher um tanto diferente por gostar de filmes de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=52&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal">Estou procurando todos os filmes e as músicas que falam de heróis. Quero saber de heróis aqueles que, na hora do grande desafio, não amarelaram, não fugiram e enfrentaram com honra o momento oportuno.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Cenas de batalha sempre me emocionam, e eu me pego então sendo uma mulher um tanto diferente por gostar de filmes de guerra. Fazia tempo que eu não revia o <em>Gladiador</em>. Ali está um homem inspirador, não só porque ele é representado pelo maravilhoso ator australiano Russell Crowe (o segundo mais maravilhoso na minha lista de atores favoritos). Maximus também é inspirador por ter sido um general destemido e por ter se mantido firme na hora em que deveria ser assassinado. Mas sua maior glória, a meu ver, foi ter entrado em arenas de gladiador e feito o que fez, diante da morte iminente a cada minuto. Teria eu a mesma coragem?</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Fazia tempo também que eu não via <em>O Senhor dos Anéis</em>. Quer dizer, havia um hiato desde que eu vi o primeiro filme da trilogia pela décima oitava vez até ontem, que foi a décima nona. E ali tem o personagem do Elijah Wood, o pequenino <em>hobbit</em> Frodo, que ganha um presente de grego e fica, por isso, responsável por salvar o destino do mundo que ele vivia. E ao saber disso tudo, a pergunta que ele faz ao mago Gandalf é a mais simples e, ao mesmo tempo, a mais corajosa: então, o que é que eu devo fazer? Essa prontidão para a ação é algo também inspirador.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Mas existe também, n’<em>O Senhor dos Anéis</em>, o personagem do Viggo Mortensen, aquele que no início nos é conhecido como Passolargo e depois descobrimos que ele é, de fato, Aragorn, o herdeiro ao trono do rei dos homens. O cara protela ao máximo assumir a responsabilidade da coroa. A desculpa que ele dá é os antigos reis terem sido corrompidos pelo poder e ele não quer se ver nesse mesmo lugar infame. A desculpa, sim, é válida, mas na verdade ele tem medo. E talvez ele tenha rezado para o momento em que ele deveria enfim ser rei jamais tivesse chegado. Ele permaneceria um mero guardião, comendo a sopa da responsabilidade pelas beiradas e permanecendo anônimo em florestas e <em>pubs</em> da Terra Média.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">E então me vem à cabeça aquela bela música do Beatles, uma de minhas favoritas, que (em tradução livre minha) diz:</p>
<p class="MsoNormal">Pássaro negro cantando na calada da noite! Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar. Em toda a sua vida, você só estava esperando para esse momento aparecer no horizonte. Pássaro negro, voe! Voe para longe noite adentro!</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Como reagir diante do momento em que tanto esperamos por chegar? Devemos fingir que somos gladiadores cuja sobrevivência depende de força e de determinação sobrenaturais? Devemos enfrentar o desafio com sincera disposição de espírito, como o Frodo, que seguiria mesmo que sozinho à Perdição? Ou devemos, como o rei Aragorn, protelar ao máximo a decisão para que, então, no último minuto, não nos sobrasse outra opção senão assumir o que nos cabe?</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Digo isso porque chegou o momento em que eu estava esperando aparecer no horizonte. A carreira dos meus sonhos se abriu à minha frente, em forma de concurso público, que está exigindo de mim estudar coisas jamais vistas e que está operando em mim uma transformação. E eu preciso arrumar uma forma de controlar uma ansiedade de nível quase absurdo, que vem somada com insegurança e despreparo.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Que herói serei eu na minha própria história?</p>
<p class="MsoNormal">
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		<title>A máquina do tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 19:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>migratoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Fernanda]]></category>

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		<description><![CDATA[



Aconteceu numa noite fresca, enquanto eu fazia um lanche no shopping. Ao redor da minha mesa estava um grupo de adolescentes, ou talvez pré-adolescentes. Deveria haver uns 7 meninos e umas 4 meninas. Apresentavam rostinhos de crianças, ainda com a pele muito lisa e limpinha, os dentes repletos de metal dos aparelhos, a boca suja [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=47&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21       MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--></p>
<p class="MsoNormal"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Aconteceu numa noite fresca, enquanto eu fazia um lanche no <em>shopping</em>. Ao redor da minha mesa estava um grupo de adolescentes, ou talvez pré-adolescentes. Deveria haver uns 7 meninos e umas 4 meninas. Apresentavam rostinhos de crianças, ainda com a pele muito lisa e limpinha, os dentes repletos de metal dos aparelhos, a boca suja de só falarem palavrões que eu só fui aprender depois dos 18. Não sei se só apenas motivados por hormônios em ebulição, embora eu ache que o fato de estarem em grupo também pesasse bastante, eles estavam em polvorosa. Falavam de fulano que beija assim, sicrano que faz aquilo, outros que fazem suruba. Todos estavam sentados em uma única mesa e riam alto e inconseqüentemente. Havia neles um quê de uma soberba e, ao mesmo tempo, uma ingenuidade que eu não pude deixar de me sentir afetada.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Foi ali que eu voltei no tempo.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Eu pude me rever no Granbery, aos 12 anos, na 6ª série. Eu era pequena se comparada aos meus colegas de turma. Sentava-me do fundo da sala, lado oposto ao da porta, perto da janela, onde eu pudesse me esconder atrás da cortina. Durante o recreio, eu ficava sozinha, após comprar uma coxinha e um refresco na cantina. Às vezes eu me juntava ao grupo da minha irmã, quatro anos mais velha do que eu. Mas a maior parte do tempo eu estava só.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Eu não queria saber a vegetação característica do centro-oeste brasileiro. Eu não queria decorar a fórmula de Baskara. Eu não queria ouvir os grandes feitos de Marechal Deodoro. Mas eu ouvia às aulas e aquilo me bastava para ir bem nas provas. Melhor do que a média.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Eu também não queria falar sobre rapazes ou saber como obter ingressos para a matinê do Front. Eu não queria azarar os meninos no intervalo. Eu não entendia o significado novo do verbo “ficar”. Eu não queria saber a nova conjugação do verbo “ficar”, quem fica com quem e quem quer ficar com quem. Mas eu ouvia ao cochicho e aquilo me bastava para não ir bem nas conversas. Pior do que a média.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">A aluna mais inteligente da turma era também uma desengonçada menina, de pouco tato e assunto. Meus colegas de turma não falavam comigo. Esquisita, era o que falavam, e daí vinha o motivo para os recorrentes gelos que me davam meses a fio. Os professores jamais elogiaram meu desempenho nas avaliações, dado o meu silêncio ao entrar e sair da sala.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Eu mudava a olhos vistos. Havia menstruado aos 11 anos e já carregava um bom peso no sutiã. Meu corpo era estranho, eu achava, mas continuava a usar roupas que escondessem aquela evolução. As roupas, no entanto, eram infantis e não tinha nenhum atrativo. Lembrar disso me faz voltar mais um ano no tempo. Vi-me na festa de aniversário da garota mais popular da turma. Eu havia sido convidada! Minha mãe ajudou a me arrumar: um macacão jeans escuro com uma camisa jeans por baixo; havia um cinto amarelinho e o tênis combinava com o cinto; os cabelos presos num rabo de cavalo com uma fivela cheia de sapatinhos coloridos de madeira. Passei o dia procurando com minha tia o que dar de presente e, por sugestão dela, comprei uma colônia Giovanna Baby. Eu estava exultante e, finalmente, poderia ficar mais próxima das meninas populares da sala. Ao chegar na festa, eu parecia um peixe fora d’água. Todas as meninas de saias curtíssimas, camisetas tão curtas tanto e sandálias que tinham ao menos um saltinho. Do presente eu percebi que ela não havia gostado muito. Havia muitos meninos e todos estavam em conversas sobre o verbo ficar; ninguém jamais me escolhera para conjugá-lo. Os pais da menina me acharam um doce, talvez porque eu tenha passado a maior parte da festa com os eles. Eles insistiam para que eu fosse me juntar à turma lá fora, mas eu não consegui. Inventei um mal-estar qualquer para ir embora.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">E mal-estar era a desculpa que eu usaria ainda muito tempo depois para me eximir de freqüentar a escola. Agora eu já me via na 7ª série, aos 13, um ano sofrido. Muitas pessoas não sabem disso, mas eu quase fui reprovada por falta às aulas. Meu pai levava a mim e a minha irmã de carro até a porta do colégio. Minha irmã logo se juntava à turminha dela e eu fingia que ia à Kombi comprar uma bala ou um chocolate para o lanche. Permanecia tempo suficiente do lado de fora para ver minha irmã entrar portão adentro. E então eu ia embora. Ficava andando pela cidade a manhã toda ou até a hora em que eu sabia tanto minha mãe quanto meu pai saíam para o trabalho. Voltava para casa e me escondia no quartinho de empregada que havia sido transformado em quarto de estudos. O verbo é esse mesmo, esconder, embora na época eu achava que eu estava apenas me focando em estudo. <span> </span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Ali, com auxílio de um exemplar do Almanaque Abril, eu fazia listas dos livros que eu deveria ler para me tornar erudita, listas dos filmes que eu deveria ver para me tornar <em>cult</em>, listas das músicas que eu deveria ouvir para me tornar uma referência. A minha suposta inteligência era uma válvula de escape. Foi nessa época que eu inventei um país e uma língua; criei mapa e tudo, com o plano da capital, como também uma gramática com orientação de pronúncia.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Eu não tinha paciência para ler os livros que constavam de minha lista, mas eu assisti a muitos filmes. Eles forneciam uma reconstrução da realidade mais direta e aquilo que fazia ir longe com a imaginação. Eu parecia uma moça à frente da idade, mas na verdade muito pouco havia eu assimilado dos filmes a que eu assisti; hoje eu tenho de vê-los todos novamente para entender sobre o que de fato falavam. Mas foi por causa dos filmes que eu dei à minha imaginação uma incumbência maior do que ela talvez poderia cumprir: a capacidade de sonhar acordada, para ter de fugir do enfrentamento com a verdadeira realidade.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Eu sempre quis ser uma escritora e sempre acreditei que era falta de disciplina o que me impedia de seguir nesse caminho. Hoje eu tenho de admitir que a minha imaginação nunca foi usada para um fim criativo, mas como uma espécie de instrumento para auto-ilusão. As histórias que eu criava não eram para o deleite de outros, mas para o meu próprio, e elas só fariam sentido de mim para mim. O fato de, no entanto, eu escrever bem, sempre me cutucou por outro lado, blasfemando contra mim o quanto eu era um desperdício.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Naquela mesa de <em>shopping</em>, eu voltei ao tempo e percebi o quanto de isolamento eu havia preenchido minha vida. Se eu pudesse, eu teria pulado essa fase da adolescência, pois ela fora odiosa. Eu queria ter ido direto à idade adulta. E então veio a inevitável conclusão, que não saberia dizer se boa ou má, mas uma conclusão óbvia, que durante muito tempo foi dura de admitir e ainda muito mais difícil de aceitar: como não há maneira de ir da infância diretamente à juventude adulta, eu, durante todo esse tempo, havia escolhido permanecer em essência uma criança.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Uma criança no sentido mais mágico e livre, como se sofresse da síndrome de Peter Pan. Quando eu fico empolgada com alguma idéia, é notável observar a minha empolgação infantil, e apenas as idéias que são capazes de levantar essa minha criança merecem o meu verdadeiro empreendimento. As minhas brincadeiras, a que minha irmã e meu cunhado tanto se referem como minhas maluquices, nada mais são do que minha criança curtindo a vida infantilmente, sem maldade, sem malícia. Eu não consigo levar problemas e pessoas muito a sério, pelo menos não durante o tempo em que vale o “jogo do serinho”. Muitos dos meus valores ainda são infantis. E também muitos dos meus sonhos; um deles é, admito, o de encontrar um príncipe encantado.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Ando muito triste, ultimamente. Uma tristeza profunda que me tem feito ver a vida como ordinária e insípida. Uma má vontade impera meus sentidos. Gostaria de passar o dia dentro de casa, mais especificamente em minha cama, dormindo ou sonhando acordada. Gostaria de permanecer no “quartinho de empregada”, como anos atrás, e criar uma realidade falsa, mas segura e controlável. O mundo me machuca mesmo, tenho sincero medo das pessoas e expor-me a ele e a elas é ainda mais delicado. Mas ao mesmo tempo, sinto que cresce uma urgência, um grito de desespero de alguém que deseja fazer as pazes com o mundo e aproveitar a grandeza da vida, algo que eu experimentei, ironicamente, ao realizar um sonho de criança, que era estar em Londres. Nesse ponto, acho até que a vida está me empurrando para fora da cama.</p>
<p class="MsoNormal">
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Mas ao ter feito uma viagem de volta ao passado, uma viagem breve mas que fez ver tanto, uma coisa, no entanto, há de ser dita: eu não mudaria nada. Pois eu não saberia dizer se eu estaria escrevendo este texto caso minha escolha tivesse sido outra. Eu não saberia dizer se eu estaria mesmo escrevendo qualquer coisa.</span></p>
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		<title>Pontos de distração</title>
		<link>http://poroutrolado.wordpress.com/2008/06/02/pontos-de-distracao/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 04:57:19 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[O lado da Vanessa]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu tinha que esperar uma pessoa e, por incrível que pareça, neste dia eu estava adiantada. Tudo bem que eu estava acompanhada da minha madrinha, o que pode ter contribuído para eu chegar antes da hora. Detalhe&#8230; O que importa mesmo é que eu não tinha nada para fazer a não ser sentar no banco [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=39&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Eu tinha que esperar uma pessoa e, por incrível que pareça, neste dia eu estava adiantada. Tudo bem que eu estava acompanhada da minha madrinha, o que pode ter contribuído para eu chegar antes da hora. Detalhe&#8230; O que importa mesmo é que eu não tinha nada para fazer a não ser sentar no banco da Carioca e esperar. Para quem não conhece o Rio de Janeiro, eu estou falando de uma das ruas mais movimentadas do centro da cidade. <span> </span>E bota movimentada nisso! Ok, o centro costuma ser assim, mas eu acredito que a Carioca se supera. Ou melhor, as pessoas se superam&#8230; </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Foi à conclusão que eu cheguei logo assim que uma mulher, com um cartaz sobre gravatas em seu corpo se aproximou dela e disparou: “Toma esse papel pra você aprender a dar nó de gravata! É, eu sei&#8230; Eu não devia abordar as pessoas, mas você estava olhando tanto pra lá que eu resolvi vir aqui. Eu senti que você quer aprender sobre gravatas! Olha, aqui tem todas as instruções! Depois você passa lá na loja pra comprar uma e treinar!”. E na empolgação até eu ganhei o papel com os nós passo a passo. Hã! Gravata??</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Em seguida, dei de cara com uma criança em cima da minha perna. Ela era tão pequenininha que poderia passar debaixo das minhas pernas despercebida. “Pois bem”, pensei comigo, “ela vai pedir dinheiro para a mãe que está em algum lugar perto daqui”. E já estava me revoltando com essa situação quando ela tirou a mão de trás das costas: “Toma!”. “Hein? O que é isso?”. “Um papel pra você”. Na folha: “Cristina Paz – jogo búzios, tarô e runas. Resolvo os seus problemas”. Ah, sim, Cristina Paz devia ser a mãe dela. “Ah, você quer me dar o papel”. Ela então sorri e sai de perto. Quando observo, vejo que ela sai pegando mais papéis daquele pelo chão. Ah tá, agora sim, foi apenas um lixo de presente&#8230; E o dia prossegue.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Policias passam, morrendo de rir. Estão tranqüilos e parecem passear, não trabalhar. Cada um deles com pedaços de plástico bem finos e azuis dentro dos bolsos das calças. Algemas de plástico? Na verdade, parecia mais aquelas pulseirinhas VIPs de festas, sabe?</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Uma mulher com uma bolsa enorme em formato de peixe colorido sobe a rua. Está com pressa e o peixe coitado, balança como se estivesse em um mar revolto.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Um cara abre sua barraquinha do Santo Expedito. Na frente, um cartaz gigantesco com a foto dele com cara de sério e a imagem do santo. Do lado de fora, a própria imagem. Maior do que eu. Ali, vende orações, livrinhos e a mensagem do Santo. Seria pagamento de promessa? Eu hein, foi-se o tempo em que as pessoas apenas subiam as escadas de uma igreja&#8230;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Um rapaz passa e entrega um papel: “Cristina Paz – jogo búzios, tarô e runas. Resolvo os seus problemas”. Ai, ai, ai, tem gente querendo resolver MESMO os meus problemas. Até que seria interessante, né? Você paga uma pessoa e a vida fica bela! Será que ela tem os números da Sena? Comecei a pensar melhor sobre o assunto&#8230;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Um homem com o cartaz no corpo “Vendo Ouro” desce a rua conversando com o amigo que anda com o cartaz “Desbloqueio celulares”. Estavam falando sobre uma garota bonita que conheceram no bar, na noite passada.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Os policiais voltam. No maior papo-furado e cheio de sacolas! Comida, bebida&#8230; Eu ainda acho que eles estão indo para alguma festa&#8230; Vai ver, nem são policiais e estão indo para uma festa à fantasia. Ei! Mas ainda nem era meio-dia!</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Um “Sombra” passa atrás de duas meninas, que nem deram conta de que estavam sendo seguidas.<span>  </span>E melhor: imitadas! Sombra, aquele tipo de artista que pinta a cara de branco e sai repetindo os gestos das pessoas, conhece?</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Uma mulher passa e me entrega um papel: “Cristina Paz – jogo búzios, tarô e runas. Resolvo os seus problemas”. Caraca! Será que era a própria? Vou te dizer, a dona tá comandando a região&#8230;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Um homem vendendo bichos de pelúcias muito, mas muito grandes, passa. Um urso com o olho meio torto e um cachorro coma língua de fora. Pareciam estar cansados. Já o homem estava animadão andando pra cima e pra baixo, segurando os animais. Isso vende? Por um segundo eu resisto à tentação de fazer essa pergunta.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Índios tocam flautas. Até aí normal. O pulo do gato, ou quer dizer, do pajé, é que eles estavam vestidos com adereços de carnaval da Sapucaí! De esplendor e tudo!!Genial. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Era tanta gente ganhando dinheiro de uma maneira inesperada que eu resolvi escrever. Não que eu fosse escrever cartas em troca de moedas, como a Fernanda Montenegro em A Central do Brasil. Não, não&#8230; Era só um recurso para eu não esquecer daquelas pessoas. Então abaixei a cabeça e me concentrei na folha. Nisso, a minha madrinha começou: “Vamos dar um volta?”. “Já vou”. Estava muito entretida para parar. “Vaneeeessa&#8230;”. “Já vou!”. Passa dois minutos: “Vaneeeessa, vamos sair daqui, hein? Hein?”. Nisso, eu comecei a sentir um tom meio apreensivo dela, que agora falava muito baixo. Estranho&#8230; Resolvi então levantar a cabeça pra ver o que ela queria. Tchanam!!! Ao meu redor muita gente!! A maioria homens!! “Ow! De onde surgiu esse povo?”. E ao olhar em volta, vejo um homem com um quadro no meio da rua. Escrevia números, tinha uma viseira e usava um microfone. Falava algo como raiz quadrada, soma aqui, tira esse resultado&#8230; Sério&#8230; O cara estava dando aula de matemática!!! Com direto a responder pergunta e tudo! Incrível. Por alguns minutos até me interessei em descobrir o valor de X de uma questão. No entanto, o fato de estar no meio da roda me fez seguir os conselhos da minha madrinha e sair dali.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Foi quando encontro a pessoa que estávamos esperando. “Vanessa, aonde você estava! Já tinha rodado isso tudo atrás de vocês!”. É&#8230; Era uma longa história&#8230; Resolvi deixar pra contar depois. Melhor&#8230;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0 0 10pt;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">E os dias se passaram. Até que um dia, minha madrinha acha na bolsa o papel da Dona Cristina e faz a seguinte observação: “Viu onde era a rua onde ela ficava?”. “Não”. “Adivinha! Rua Visconde do Rio Branco”. &#8220;Putz! Tá de zoação?&#8221;, foi a única coisa que eu consegui responder. Afinal, é o nome da cidade de Minas Gerais onde eu nasci! Meu Deus! Cristina Paz, Visconde do Rio Branco, todos os papéis parando na minha mão&#8230; E foi aí que eu percebi tudo&#8230; Estava ali na minha cara o tempo todo&#8230; Era um sinal! Eu sabia&#8230; E se bobear, todas as pessoas da Carioca sabiam! Eu deveria ter ido na Cristina Paz&#8230; Ô distração&#8230; </span></span></span></p>
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		<title>Corrente do tédio</title>
		<link>http://poroutrolado.wordpress.com/2008/05/18/corrente-do-tedio/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 May 2008 01:11:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>migratoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Fernanda]]></category>

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		<description><![CDATA[Um agricultor no interior do estado acorda todos os dias às quatro horas da manhã e trabalha horas a fio para fazer crescer umas verduras que ele vende a baixíssimo preço para um atravessador que levará o produto para a cidade.
Um atravessador desperta já preocupado se seu concorrente irá roubar o negócio feito com o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=38&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal">Um agricultor no interior do estado acorda todos os dias às quatro horas da manhã e trabalha horas a fio para fazer crescer umas verduras que ele vende a baixíssimo preço para um atravessador que levará o produto para a cidade.</p>
<p class="MsoNormal">Um atravessador desperta já preocupado se seu concorrente irá roubar o negócio feito com o agricultor de verduras pois disso depende o seu ganha-pão do mês para bancar a nova mulata da casa de forró e os cinco filhos que ele tem espalhados por aí. Também desesperado ele contrata o frete do caminhão com um motorista indicado por uma de suas ex-namoradas.</p>
<p class="MsoNormal">Um motorista de caminhão madruga para carregar as verduras compradas no interior do estado para a cidade. Peleja com a caixa de câmbio, vigia a imprudência dos outros motoristas, calcula milimetricamente para não cair em buracos da pista, enfrenta engarrafamentos, chega atrasado na entrega, leva bronca do patrão a quem ele responde mal e é mandado embora.</p>
<p class="MsoNormal">Um encarregado de um grande mercado acorda em sua casinha de classe média baixa num subúrbio qualquer, compra um pãozinho com moedas na padaria, chama os filhos para irem à escola municipal onde ganham merenda, olha com cara feia para a mulher que já não está mais em seus melhores dias de beleza, coloca uma roupa para pegar o trem e depois o metrô e depois um ônibus para três horas depois chegar no emprego que lhe paga um salário ridículo mas ele não encontra algo melhor.</p>
<p class="MsoNormal">Um professor de escola municipal se levanta de uma noite mal-dormida em que ele ficou pensando como não ser manipulado pelos jovens pervertidos de hoje e em como tentar fazê-los ao menos entender a matéria que leciona. Ao tomar café, ele liga a televisão e vê uma propaganda do governo federal enaltecendo os de sua classe e aparece em sua tela mental o contra-cheque magro de todo fim de mês.</p>
<p class="MsoNormal">Um publicitário que não dormiu porque estava pensando em como fazer uma propaganda efetiva sobre o papel dos professores se lembra das contas a pagar e dos empréstimos que fez para manter um alto estilo de vida condizente com o que os anúncios promovem. Ele vê ao seu lado a namorada da semana dormindo diante de um copo de vinho e um prato de salada e se lembra de que ele mesmo precisa comer alguma coisa.</p>
<p class="MsoNormal">Uma namorada decide dormir na casa do novo namorado e ao acordar não sabe como fazer para chegar em sua própria casa. Descobre com o porteiro que ela pode pegar um metrô e assim ela o faz. Em casa ela pensa que na verdade não devia ter ido embora da casa do namorado, pois ela anda sem sorte em arrumar um emprego e ele é um publicitário famoso que podia muito bem sustentá-la, pelo menos enquanto o caso durar.</p>
<p class="MsoNormal">Um porteiro chega no trabalho às três horas da manhã enquanto todo o resto do prédio em que trabalha dorme. Naquele dia ele receberá várias correspondências, atenderá muitos hóspedes esperados ou inesperados, ouvirá bronca de síndico estressado, trocará conversa com as madames que passeiam com seus cachorros, jogará charme na nova faxineira do 401 e depois voltará para casa para ver a novela das duas, depois jantar um mexido do almoço que a mulher deixou no fogão e dormirá até a uma da manhã do dia seguinte para ir trabalhar de novo.</p>
<p class="MsoNormal">Uma madame pontualmente se arruma para levar o cachorro para passear, no exato momento em que sua filha adolescente chegar da escola com aquele bando de amigos neo-neopunks. No passeio ela encontra a vizinha do prédio da frente que também é sua amiga de ginástica e juntas elas reclamam dos maridos e das secretárias dos maridos.</p>
<p class="MsoNormal">Uma vizinha comparece religiosamente a academia todos os dias pela manhã para manter a forma para seu novo amante e ainda tem de aturar a mulher dele com quem tem de dividir a barra de exercícios e com quem ainda se encontra para passear com os cachorros. Para disfarçar, ela reclama do próprio marido.</p>
<p class="MsoNormal">Um marido trabalha o dia inteiro como administrador de um grande mercado para manter a própria família e a amante. Amanhã ele tentará negociar com os agricultores para que o preço das verduras caiam.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/poroutrolado.wordpress.com/38/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/poroutrolado.wordpress.com/38/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/poroutrolado.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/poroutrolado.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/poroutrolado.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/poroutrolado.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/poroutrolado.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/poroutrolado.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/poroutrolado.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/poroutrolado.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/poroutrolado.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/poroutrolado.wordpress.com/38/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=38&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Questão de ponto de vista</title>
		<link>http://poroutrolado.wordpress.com/2008/03/28/questao-de-ponto-de-vista/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Mar 2008 02:01:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>migratoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Fernanda]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;
Hoje ela resolveu tentar um batom vermelho. Eu gostei, ela não. Logo ela saiu e voltou com um pedaço de papel e arrancou a coisa fora. Seus lábios ficaram rosa escuro. Ela ainda ficou um tempo me encarando. Eu não disse nada.
Virando o rosto de um lado a outro ela observou a pele. Eu via [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=37&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal">Hoje ela resolveu tentar um batom vermelho. Eu gostei, ela não. Logo ela saiu e voltou com um pedaço de papel e arrancou a coisa fora. Seus lábios ficaram rosa escuro. Ela ainda ficou um tempo me encarando. Eu não disse nada.</p>
<p class="MsoNormal">Virando o rosto de um lado a outro ela observou a pele. Eu via os poros abertos, alguns cravos, uns pontos vermelhos de potenciais espinhas; via o desenho irregular das sobrancelhas, o nariz grande e a testa ainda sem marcas de expressão. Certamente ela também via, tanto que resolveu aplicar sobre tudo aquilo um líquido claro que pretendia esconder suas imperfeições. Eu achei que não escondia, mas a luz especial que ela acendeu fez com que a coisa funcionasse.</p>
<p class="MsoNormal">Ela então resolveu pegar o lápis de olho. Aproximou-se de mim, puxou com a mão esquerda a pálpebra direita e com a mão direita desenhou um traço preto e fino junto aos cílios. Sim, eu notei que estava um tanto torto, mas também não disse nada. Ela piscou, olhou profundamente para mim e sorriu. Eu também sorri.</p>
<p class="MsoNormal">Ela voltou a fazer os mesmos movimentos sobre a pálpebra esquerda e ali também tinham traços tortos. Ela piscou e sorriu novamente. Sim, o conjunto era lindo.</p>
<p class="MsoNormal">Pegando de um cotonete ela fez sombras em verde escuro pouco acima dos traços anteriores em ambos os olhos. Passou um pente pelos cílios, o que os deixou alinhados. Ela piscou repetidamente até o olhar pousar sobre mim com um carinho apaixonante. Eu me derreti, mas não disse nada.</p>
<p class="MsoNormal">Então ela voltou ao batom. Agora ela parecia não querer errar, porque ela abriu e estudou concentradamente diversas embalagens. Ela pegava uma delas, vinha para perto de mim, fingia passar nos lábios mas desistia. Fez isso umas cinco vezes até que ela pegou um gel quase transparente e passou. Houve brilho mas não cor. Ela me encarou séria, e eu achei melhor não dizer nada.</p>
<p class="MsoNormal">Ela soltou os cabelos que estavam presos e escovou os fios por inteiro. Ela sabia que aquilo era bonito e eu admirava com prazer. Deixei ela fazer a coisa com cuidado. Ela prendeu de um lado só, depois de outro só, até se decidir deixá-los livres mesmo. Apagou a luz especial que havia acendido há minutos atrás e sobre ela caiu apenas a luminosidade natural. Ela estava satisfeita. Eu também, e tanto estava que não disse nada.</p>
<p class="MsoNormal">Então eu ouvi vozes vindo da porta. Ela se afastou de mim por uns instantes e, quando voltou, não estava sozinha. Ela tornou a me encarar e, assim como ela, achei estar linda. Mas a outra moça que estava ao lado dela, que eu não conseguia ver, apenas ouvir, disse:</p>
<p class="MsoNormal">- Que você fez? Nem parece que se olhou no espelho. Tá horrível isso!</p>
<p class="MsoNormal">E eu pensei cá comigo: ora, bolas! Então o que é que eu podia fazer?</p>
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		<item>
		<title>Reflexões De Um Espelho</title>
		<link>http://poroutrolado.wordpress.com/2008/03/10/reflexoes-de-um-espelho/</link>
		<comments>http://poroutrolado.wordpress.com/2008/03/10/reflexoes-de-um-espelho/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 Mar 2008 06:05:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poroutrolado</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Vanessa]]></category>

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		<description><![CDATA[Não dá para passar inerte por um espelho. Definitivamente. Pelo menos comigo é assim e acho que com a maioria das pessoas. A vida pode estar corrida, você pode estar atrasado, pode estar até chovendo, mas ao passar por um espelho você pára. Pelo menos por alguns segundos. Nem que seja para tirar o cabelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=36&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Não dá para passar inerte por um espelho. Definitivamente. Pelo menos comigo é assim e acho que com a maioria das pessoas. A vida pode estar corrida, você pode estar atrasado, pode estar até chovendo, mas ao passar por um espelho você pára. Pelo menos por alguns segundos. Nem que seja para tirar o cabelo que está na cara.</p>
<p>Quanto maior, mais difícil fica de ignorá-lo. Paredes tomadas por espelhos, então! Uma loucura. Praticamente impossível não parar um pouco para ajustar a roupa ou dar um sorriso. Lógico, fingindo que aquele sorriso não é para o espelho. Apenas um ensaio de como fazer quando encontrar aquela pessoa. Ou, melhor dizendo, outro espelho.</p>
<p>Porque, sim, pessoas, realmente, são espelhos. Sejam elas amizades, namorados, parentes, ou desconhecidos. Todos são espelhos e refletem umas às outras. Nem sempre por inteiro, nem sempre no primeiro momento. Às vezes mostrando qualidades, às vezes defeitos, mas espelhos. Não iguais! Isso já é outra coisa&#8230;</p>
<p>Eu sei, a falta de luz pode não ajudar a visão em algumas situações. Só não se desespere se isso acontecer. Basta ter paciência e tato para encontrar e apertar o interruptor. Um abajur talvez. Caso contrário, a escuridão, com o tempo, se tornará presente o suficiente para que a vista se acostume. Mesmo que você não queira, os detalhes serão identificados. Ao menos que prefira fugir e fechar os olhos. E esta pode ser a pior opção&#8230;</p>
<p>E, lógico, acontece da pessoa fingir não perceber o outro. Não é fácil se encarar. Existem espelhos então que podem até aumentar ou diminuir seus traços! Imagina? Melhor passar, dar aquela olhada de lado e seguir o caminho. Sem parar! E isso, antes de tudo, requer muita coragem, convenhamos. Ou medo. Afinal, nunca se sabe o que se pode enxergar em um reflexo. Pra quê causar uma revolução interior por livre e espontânea vontade? Mudança requer iniciativa e força. Não mesmo&#8230; Só que tem uma coisa: mesmo passando batido, um pensamento vai ficar. “Eu podia ter parado&#8230; O que será que tinha naquele espelho?”. Dúvidas&#8230; que podem doer muito mais do que a certeza.</p>
<p>Ah, a certeza&#8230; Pode ser fulminante ao ponto de afastar ou a razão de um começo, talvez até de um recomeço. Pode terminar em paixões, ou quem sabe trazer à tona uma decepção inesperada. É definitivo, sabe? Nada daquele chato e sem graça “mais ou menos”. Algo tão certo que provoca rumos, idéias, sentimentos. Tá, que nem sempre agradam, mas que pelo menos são verdadeiros. E é isso que dá base para o resto. É branco ou preto. Por mais que o céu esteja cinza e nublado para os outros. No mínimo, evita que a chuva caia um dia sobre a sua cabeça.</p>
<p>É difícil, eu sei&#8230; Mas depois de tantos erros e acertos, eu vejo que é melhor ser assim. De modo que eu só tenho trocado de espelhos. Só isso. Mudando tamanhos e molduras, às vezes sem critério algum! Uns grandes, outros pequenos, daqueles de guardar na bolsa. Espelhos com mosaicos na beirada, outros de madeiras e ainda os de flores. Mas cada um refletindo um pouco de mim. Trazendo lados de uma pessoa que anda a passos largos pelos enganos da vida. Pedaços que, no final, só servem para me tornar cada vez mais real. Tanto para os olhos alheios, quanto para os meus.</p>
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		<title>Para Você, Com Carinho</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Dec 2007 23:21:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>poroutrolado</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Vanessa]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda não cheguei, mas tenho sentido tanto suas esperanças e sua fé em mim que resolvi lhe escrever. Conversei com 2007 e ele também achou que você deveria saber algumas coisas. Um pouco antes da hora, eu sei, mas achei necessário. Espero que entenda.
São tantos pedidos, tantas apostas depositadas em mim que eu me sinto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=35&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Ainda não cheguei, mas tenho sentido tanto suas esperanças e sua fé em mim que resolvi lhe escrever. Conversei com 2007 e ele também achou que você deveria saber algumas coisas. Um pouco antes da hora, eu sei, mas achei necessário. Espero que entenda.</p>
<p>São tantos pedidos, tantas apostas depositadas em mim que eu me sinto pesado antes mesmo de entrar em ação. E eu não falo apenas de você, não. Imagine o mundo inteiro lhe pedindo coisas e mais coisas! Nas mais diversas línguas e formas! Saúde, paz, amor, dinheiro, sucesso&#8230; Estão nas camisas, nas palavras, nos copos e até nas calcinhas! Dá pra pirar qualquer um! É muita pressão. Só não entro em crise porque já estou velho pra isso. Afinal, são 2008 anos, né? Enxutos e bem vividos, diga-se de passagem, mas 2008 anos. Alguma experiência eu já devo ter para lidar com o animal racional mais irracional que Deus inventou: o homem.</p>
<p>Eu gosto e estou empolgado para iniciar o trabalho. Não nego. O homem é uma caixinha de surpresas e é desafiador deixá-lo feliz com o que está ao seu redor. Não digo sempre feliz, pois isso também não teria graça. Até ele acharia entediante. O que eu tento é dar equilíbrio para as pessoas, perdidas entre pensamentos e sentimentos. A famosa paz. E eu nem to dizendo a mundial, não. A paz interior de cada um mesmo. Ela é fundamental para que se consiga discernir o que lhe faz bem dentre as opções que se apresentam. E costumam ser muitas&#8230; Aí é onde mora toda complicação.</p>
<p>O que estou querendo lhe dizer é&#8230; Não sou eu que vou lhe dar saúde, amor, dinheiro e qualquer outro presente. Eu não vou embalar isso numa caixa, com um laço lindo em cima, e lhe enviar como o Papai Noel faz. O meu papel não é esse. Por mais que as pessoas insistam em vestir roupas coloridas tentando me sinalizar seus desejos para que eu os atenda. Aliás, quem inventou essa tal tabelinha dizendo que vermelho é isso, amarelo é aquilo, e blá blá blá? Caramba! Nós, anos, ficamos malucos com esse festival de cores. Até porque essa tabelinha com significados costuma variar de lugar pra lugar! Uma confusão! Sem esquecer das pessoas que vestem todas as cores! Como se estivessem dando de espertas pra cima da gente, é mole? Aí passa o ano, nada acontece e saímos como o carrasco da história. Não, não&#8230; Isso não pode ficar assim. Alguém precisa explicar como nós, os anos, trabalhamos. E esse alguém será eu, já que 2007 está saindo cansado após sua carga-horária. Bom, então vamos lá!</p>
<p>A minha função primordial é lhe ajudar. É como se eu colocasse placas pela estrada. Setas, opções, lugares distintos a cada curva que você escolheu passar. Está sem dinheiro? Está sem namorado ou namorada? Não tem sucesso na vida? Está sem amigos? Precisa de paz? Bom, independente da pergunta a minha resposta será a mesma: você é o responsável por tudo isso. Única e exclusivamente você. Eu sei, estou pegando pesado. É uma bomba pensar que se está triste, a culpa é sua. É ruim, dói, mas eu não vou mentir&#8230; Parece até papo de psicólogo, mas é a pura verdade! Agora respira. Calma&#8230; O outro lado também é real: se a responsabilidade é sua, você, mais do que ninguém, pode consertar. Está com você o próximo passo da sua vida. Querer já é o começo de tudo. Vai por mim&#8230;</p>
<p>Por exemplo, se o que lhe falta são amigos, pare um pouco para pensar como tem agido no decorrer dos anos. A solução do problema vai sair daí. Com toda certeza. Tem estado ao lado deles? E eu nem estou falando de presença física. Pensar já é uma forma de estar junto. Torce por eles e faz o que pode quando precisam de ajuda, independente da distância e do tempo? Às vezes, os rumos das pessoas são diferentes, eu sei. Mas amizade mesmo, amizade da boa, resiste a essas coisas. Fica intacta, apenas esperando um próximo encontro. Não tem mistério&#8230; Quando você dá atenção, carinho e respeito, isso volta. Talvez não da forma que esperava, mas volta. Aí cabe aos seus olhos ajustar suas expectativas diante do outro.</p>
<p>Tire da cabeça a idéia de que você só conhece gente que não presta! Está cheio de pessoas maravilhosas por aí. Verdade! Não feche as portas para quem gosta de você só porque alguém lhe sacaneou no passado. Não faça regras a partir de casos. Da mesma maneira, não seja desleal com quem lhe vê como amigo. Saiba se doar. Dê um pouquinho de você para o outro porque é o bem dele que você quer. Amizade nunca se sustenta de um lado só. Aliás, relação nenhuma. Mal construída, uma hora explode.</p>
<p>E amor então? Os anos já lhe ofereceram muitos! Alguns mais baixos, outros mais bonitos, uns mais gordinhos, enfim, de todos os tipos e maneiras, mas todos querendo te encher de beijos! Amores em potencial que, simplesmente, passaram. Só porque você não os percebeu ou não entendeu a importância deles o suficiente para que pudesse lutar para que ficassem em sua vida. Os deixou passar e não notou o amor bem ali do seu lado. Ou pior: nem chegou a conhecê-los! Talvez porque estivesse de mau-humor ou o que é mais comum: focado em outros assuntos, temas e pessoas que nunca tiveram o valor que você atribuía a eles.</p>
<p>O ser-humano tem disso&#8230; Às vezes cisma com o que não deve por causa de algum medo ou insegurança. Insiste no que é errado e sabota a sua própria felicidade! Aí sobra pra gente: os anos! Temos que entrar em ação para tentar lhe mostrar a SUA verdade. Não a nossa. Damos sinais, causamos encontros e desencontros até você acordar pra você mesmo. E uma hora acontece! Agora, o interessante é que o ano que consegue isso sai com a fama de vitorioso e os outros com a fama do problema. Calma lá&#8230; Os anteriores também tentaram lhe despertar. Faz tudo parte de um processo. O tempo pra isso acontecer depende muito do seu grau de teimosia e orgulho. Ai, esses defeitinhos humanos&#8230; Como não dão trabalho&#8230;</p>
<p>E o tal do dinheiro? O homem condicionou toda a sua vida em função dele. Passou da questão de lhe oferecer sobrevivência. Se a pessoa não tem dinheiro para comprar o carro do ano, o computador mais equipado ou aquele sapato de couro&#8230; pronto! É infeliz! Opa&#8230; Vamos parar com isso! Eu sei que é necessário, mas não deixe ele comandar suas decisões. Não se envenene por dólares, euros, reais&#8230; Na dúvida sobre o que fazer, ponha na balança: você de um lado e o dinheiro do outro. Quem pesará mais? Afinal, quem é que manda na sua vida? </p>
<p>E mais! Ele pode ser uma conseqüência se você conhece seus talentos, e sabe aonde pode melhorar. O sucesso financeiro vai vir se você não ficar parado em mim. Eu ando, você também precisa andar, meu caro. Como eu posso lhe ajudar se você não se mover? As oportunidades estão espalhadas por todos os cantos. Não vê? Não existe apenas uma alternativa de vida. Confie.</p>
<p>Enquanto isso, por favor, não abuse de você. Não se acabe em bebidas, cigarros ou outras drogas humanas. Não que elas não causem prazer. Acontece que a sua casca é frágil. Não pegue peso se já estiver fraco, não exija movimentos que seu corpo não é mais capaz de fazer. Conheça seu limite. Como ter saúde se você não colabora? E tá&#8230; Tem doenças que chegam sem explicação. E aí? Bom, eu não posso lhe explicar tudo&#8230; Não tenho permissão pra isso. Entre o céu e a terra tem milhões de coisas que o homem nem sonha que existem! E não sou eu que vou contar. Mas posso lhe dizer em letras garrafais: VIVA SUAS VONTADES! Seja real consigo mesmo antes de tudo. E se errar? Aprenda. Pelo menos, você seguiu os seus desejos naquele momento. Mesmo que eles tenham mudado com o tempo. E isso acontece mais do que você imagina! Eu mudo, eu passo, outro ano chegará depois de mim. Você também muda. E se quiser, para melhor. Sendo fiel aos seus valores e aos seus sonhos, meu amigo, pode vir a doença que vier&#8230; Nada vai estar pela metade dentro de você. Nenhuma dívida pendente com o seu coração.</p>
<p>Entende o que eu falo? Por favor, pare de ficar preocupado comigo, com 2009 e com os outros anos que virão pela frente. Se preocupe com você, antes de tudo! Olhe pra você, pro seu dia-a-dia, para o que gosta, para quem gosta. Não diga que 2007 foi ruim ou que deixou a desejar. Apure o seu olhar para o ano que passou e acredite: o que é seu está guardado. Só falta buscar. E, às vezes, isso demora mesmo. É todo um processo de aprendizado que você só conseguirá compreender por completo depois de finalizado. Por isso, enquanto não consegue enxergar o plano da vida, acerte o seu passo com o meu. Que tal?</p>
<p>Vamos combinar uma coisa? Eu prometo chegar devagar para não lhe confundir. Serei o mais transparente possível para que compreenda meus pontos e vírgulas. Terei calma para lhe enviar todos os sinais necessários para que perceba a melhor direção. Estarei no sopro do vento, na brisa do mar, na chuva que cair, no sol que lhe der bom dia. Cantarei músicas e lerei poemas para os seus sentidos através da minha natureza e do meu tempo. Estarei lhe acompanhando como um amigo, cheios de meses, dias e horas para lhe dar colo, se for o que quiser. E força para seguir em frente. Já você&#8230; Tem que me prometer deixar a pele sensível, ouvidos atentos, olfato aguçado, paladar apurado, olhos focados e a mente quieta. Você tem que me prometer que, pelo menos vai tentar, deixar seu coração aberto&#8230;</p>
<p>Um beijo carinhoso e a gente se vê daqui a pouco.<br />
Pode acreditar: eu, realmente, estou doido para te abraçar.</p>
<p>2008</p>
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		<title>Para 2008, com carinho</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Dec 2007 06:27:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>migratoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Fernanda]]></category>

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		<description><![CDATA[Caro 2008,
você deve achar estranho eu estar escrevendo para você sem ao menos o conhecer. Perdoe-me a ousadia, mas eu tenho a teimosa mania de ter esperança sobre o futuro. Uma vez me disseram que o tempo cura as feridas e eu aprendi que esta frase é uma das poucas verdades que existem no mundo. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=34&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Caro 2008,</p>
<p>você deve achar estranho eu estar escrevendo para você sem ao menos o conhecer. Perdoe-me a ousadia, mas eu tenho a teimosa mania de ter esperança sobre o futuro. Uma vez me disseram que o tempo cura as feridas e eu aprendi que esta frase é uma das poucas verdades que existem no mundo. Então eu olho para você e já acredito que você será um ano melhor que 2007 foi.</p>
<p>Não estou sendo ingrata ao já me desfazer deste ano que se acaba. 2007 foi bom para mim, mas o que ele tinha a oferecer já foi oferecido. O que eu aguardo ansiosamente é por mais dias, e esta carta é para pedir-lhe permissão para curtir você com intensidade.</p>
<p>Há coisas que eu desejo profundamente em minha vida. O principal dentre esses desejos é o de realizar sonhos. Minhas idéias sempre ficaram muito presas à minha cabeça, mas eu admito estar cansada de ver a vida pelo travesseiro. É fato que eu não tenho sido muito corajosa; há momentos em que eu me percebo muito conservadora e conformista. Não quero, por outro lado, ser rebelde. Queria que você trouxesse aos meus dias algo que tem faltado: dinamismo. A rotina tem me deixado um tanto cega e embrutecida.</p>
<p>Talvez 2007 faça para você um perfil meu antes de ir-se embora. Espero que este relato mostre o quanto, há tempos, eu venho sofrendo por não saber meu lugar no mundo. Vou conhecer você com a angústia de quem procura por algo sem saber exatamente o que está procurando. Você há de notar que eu me escondo para não ver com clareza as dúvidas que me cercam. São dúvidas existenciais, sim, mas outras tantas são extremamente práticas. 365 dias podem ser poucos para aplacar este vazio, mas eu gostaria de encontrar em você um momento, que seja, de paz e preenchimento. Oriente-me nesta busca, meu ano bom!</p>
<p>Minha conta bancária não vê a vida azul há tempos. Isso, eu admito, por minha culpa, minha única culpa. E só de pensar nas origens dessas calças curtas eu já entro em auto-punição. Estou me esmerando em disciplina e economia para aprender o valor do dinheiro, mas o meu período de privação está longo demais. Se você quiser, eu me visto de amarelo para o nosso primeiro encontro, às primeiras horas da madrugada. Amarelo, para sua informação, é a cor de que menos gosto, mas faço o sacrifício de usá-la para ser agraciada com rendimentos melhores nos dias em que passarmos juntos.</p>
<p>Quando eu conheci seu velho amigo 2006, eu recebi uma notícia que, à época, não foi agradável. Custaram-me dois anos para superar aquele telefonema e para perceber que a notícia era, de fato, um presente. Sim, o tempo cura. E o tempo curou até demais. 2007 há de lhe dizer que eu estou esperando por um homem que venha a somar em minha vida, e não a subtrair, ou a me dividir ou a me multiplicar sem ganhos. Será você que me irá trazê-lo?</p>
<p>Ah, meu bom ano! Quero aproveitar cada hora dos seus dias, lendo os livros que ainda não li, aprendendo o que ainda não aprendi, encorajando o que ainda não encorajei! Não me deixe perder valioso tempo com preguiça, sono ou desilusões demais. Troque o disco da minha trilha sonora e deixe minha vida mais rock&#8217;n'roll. Já vou ajudando, dizendo que eu concordo com os Rolling Stones quando eles cantam: &#8220;Você não pode sempre receber o que você quer, você recebe o que precisa&#8221;. Eu espero que você acredite que eu preciso de tudo aquilo que eu quero.</p>
<p>Mas desde já vou lhe adiantando: será um prazer conhecê-lo.</p>
<p>Com toda a sinceridade com que lhe recebo em minha vida,</p>
<p>Fernanda.</p>
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		<item>
		<title>Detalhes tão pequenos de nós duas</title>
		<link>http://poroutrolado.wordpress.com/2007/12/03/detalhes-tao-pequenos-de-nos-duas/</link>
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		<pubDate>Mon, 03 Dec 2007 04:14:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>migratoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[O lado da Fernanda]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha vida e eu
Um simples passeio pela rua pode revelar coisas interessantes sobre mim mesma. Falando assim, até parece que cada dia que eu vivo é cheio de grandes acontecimentos. Mas não é bem assim. Eu estou me referindo a detalhes do cotidiano, que passariam batido a olhos mais acostumados a ver os pequenos acontecimentos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=poroutrolado.wordpress.com&blog=1635995&post=33&subd=poroutrolado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal"><strong>Minha vida e eu</strong></p>
<p class="MsoNormal">Um simples passeio pela rua pode revelar coisas interessantes sobre mim mesma. Falando assim, até parece que cada dia que eu vivo é cheio de grandes acontecimentos. Mas não é bem assim. Eu estou me referindo a detalhes do cotidiano, que passariam batido a olhos mais acostumados a ver os pequenos acontecimentos como garantia. È verdade que eu penso demais, mas simplesmente eu não consigo deixar passar as coisas que eu percebo na minha relação com o mundo. Não que eu seja especial ou queira me fazer parecer como tal. Não, essa é apenas a forma que eu aprendo a viver.</p>
<p class="MsoNormal">Gostaria de descrever um pequeno intervalo de quatro horas deste meu domingo.</p>
<p class="MsoNormal">Para começar, eu saí só. Há muito, é claro, que eu venho me divertindo sozinha, desde que eu morava em Campinas. Sim, isso soa triste, não ter companhia para um cinema domingo à noite. Eu costumava pensar em quão deprê era estar numa situação dessas, até que eu aprendi que eu também posso me divertir comigo mesma numa boa. Ainda mais que já reclamaram comigo que eu falo muito durante a exibição de filmes. Cinéfila que sou, é realmente difícil me abster de algum comentário sobre atores, diretores ou equipes técnicas, “detalhes” que eu acompanho com muita curiosidade. Agora, quando eu vou ao cinema, e estou sozinha, o casal ao lado pode até achar estranho eu estar vibrando com alguma coisa aparentemente sem importância, mas lá estou eu apenas a aprimorar meu <em>hobby</em> favorito.</p>
<p class="MsoNormal">E talvez seja até melhor fazer esse programa sozinha. Durante o filme, eu esqueço do resto, inclusive da minha companhia, absorvida que eu fico com aquilo. Um amigo meu certa vez me disse: “Você acredita mesmo em cinema”. E talvez ele tenha razão. Não faço questão nenhuma de ser espertinha e tentar adivinhar o final quando ainda estão se desenrolando as primeiras cenas. Do contrário, qual é a graça? Eu não me importo quando eu sei ou quando me contam o final do filme. Eu acho que o importante é observar como o enredo chega até lá. Há outro detalhe aqui: não, eu não saio de uma sala de cinema, nem que seja o pior filme da face da Terra. Eu entendo que nem todos têm esta resiliência. Eu só peço que, se for o caso, os incomodados se retirem; odeio quando ficam xingando o filme nos meus ouvidos. Agora, quando eu saio da sala, a minha crítica é feroz. Mas a gente não pode criticar se não viu a história toda, não é mesmo? Isso eu aprendi na teoria do jornalismo, algo, aliás, que só eu estudei na faculdade. Talvez por isso eu tenha desistido de ser jornalista e virado professora. Professora de inglês.</p>
<p class="MsoNormal">Depois eu comprei uma agenda para o ano que vem. Sobre isso, dois “detalhes”. Um, o de eu estar, cada vez mais, preocupada em anotar meus compromissos e ter a satisfação de riscá-los quando cumpridos. Isso me dá uma sensação muito visível de o quanto eu estou ficando mais responsável. Dois, o fato de eu preencher o formulário de dados pessoais de uma maneira muito particular. Eu notei que eu escrevo o endereço e o telefone a lápis. Há algo dentro de mim que sempre diz baixinho: por que eu vou colocar essa informação a caneta, vai saber lá onde eu posso estar amanhã? São nesses detalhes que eu observo meu coração migratório e minha vontade de bater asas assim que o vento da boa oportunidade soprar em minha janela.</p>
<p class="MsoNormal">Na hora de ir para casa, outro detalhe curioso. Eu havia estacionado o carro num local muito próximo à saída. Sim, eu poderia ter embicado o carro em direção ao caixa e ido embora pra casa rapidinho. Mas não o fiz. Eu dei a volta no estacionamento para fazer o trajeto regulamentar e isso demorou uns 15 minutos. O dia em que eu dei uma de joão-sem-braço e dei ré em quase metade de uma rua para colocar o carro numa vaga única, sem precisar ter que dar uma volta de quatro quarteirões para chegar até ela novamente, eu passei o dia inteiro pedindo desculpas a mim mesma. Os detalhes mostram o quanto eu obedeço às regras, mesmo que implícitas, das coisas. Às vezes eu chego a ser bem quadradinha, com mania de combinar roupas, sapato com bolsa e até brinco com anel; organizar o carrinho de compras, separando secos de molhados, comestíveis de não-comestíveis, perecíveis de não perecíveis, e mantendo isso na hora de passar os produtos na esteira do caixa. Até minha bagunça tem uma certa ordem. Se isso é bom, eu já não sei. Dizem que eu sou perfeccionista e a fama, pelo que tudo indica, é procedente.</p>
<p class="MsoNormal">Pelos meus meros detalhes, dá para perceber quem eu sou, não? Pois é. Mas há aquelas pessoas que descartam isso. Preferem ficar esperando o momento bombástico para a vida ter sentido, enquanto os segundos passam. São pequenos esses segundos, mas somando-se todos eles, tem-se um dia inteiro. É por essas e outras que eu tenho acreditando sempre mais que os segundos deviam ser os primeiros.</p>
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